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20/May/2026

Commodities não garantem melhora nos termos de troca

A valorização das commodities no mercado internacional não garante, automaticamente, melhora nos termos de troca do Brasil, segundo avaliação do Santander. O banco aponta que, mesmo em cenários de alta nos preços de petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas, o País pode perder poder de compra no comércio exterior caso os custos das importações avancem em ritmo ainda mais intenso. Os termos de troca medem a relação entre os preços das exportações e das importações. Quando o indicador sobe, o País consegue adquirir maior volume de produtos importados com a mesma quantidade exportada. Quando cai, ocorre deterioração do poder de compra externo.

O estudo destaca que a estrutura do comércio exterior brasileiro apresenta forte assimetria. Aproximadamente 75% das exportações brasileiras são compostas por commodities, enquanto cerca de 78% das importações correspondem a produtos não relacionados a commodities, como bens industrializados, químicos, farmacêuticos, eletrônicos e máquinas. Nesse contexto, o avanço das commodities tende a elevar as receitas externas, mas não impede que o encarecimento de produtos manufaturados importados pressione negativamente os termos de troca. O relatório utiliza o comportamento de 2026 como exemplo dessa dinâmica.

A alta do petróleo impulsionou os preços das exportações brasileiras, principalmente nos segmentos ligados à extração de petróleo e gás e aos derivados energéticos. Contudo, o mesmo movimento elevou os custos de importação de combustíveis, incluindo diesel, além de pressionar categorias como produtos químicos e equipamentos eletrônicos. O resultado foi deterioração dos termos de troca da cesta total de comércio exterior em março, apesar do suporte proporcionado pela valorização do petróleo. Posteriormente, houve apenas recuperação parcial, acompanhando desaceleração da inflação dos produtos importados.

O banco também ressalta a crescente influência da China sobre os custos de importação brasileiros. O país asiático responde por cerca de um quarto das importações do Brasil, e há forte correlação entre o índice de preços de importação brasileiro e o índice de preços ao produtor (IPP) chinês, indicador que mede os preços industriais na saída das fábricas. Dessa forma, a recuperação dos preços industriais chineses tende a pressionar os custos de bens e insumos importados pelo Brasil. Indicadores recentes de custos industriais na China apontam continuidade dessa tendência, o que pode manter elevada a pressão sobre a cesta de importações brasileiras. Apesar do alerta sobre os termos de troca no curto prazo, o Santander mantém perspectiva positiva para a balança comercial brasileira em 2026 e 2027.

A avaliação é sustentada pelo crescimento estrutural do volume exportado, especialmente em petróleo, minério de ferro e commodities agropecuárias, além da possibilidade de novas altas nos preços agrícolas. Entre os fatores de risco para os mercados agrícolas, o relatório destaca a possibilidade de ocorrência de um El Niño mais intenso, fenômeno que pode reduzir a oferta global de alimentos e sustentar preços internacionais mais elevados. Com base nesse cenário, o Santander projeta superávit comercial de aproximadamente US$ 87 bilhões em 2026, considerando dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.