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19/May/2026

Ministério da Fazenda eleva projeção do IPCA 2026

O Ministério da Fazenda elevou a projeção para o IPCA de 2026 de 3,7% para 4,5%, no limite superior da meta contínua de inflação. Para 2027, a estimativa subiu de 3,0% para 3,5%, acima do centro da meta de 3,0%. As revisões constam no Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). A principal razão para a revisão altista das projeções inflacionárias foi o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo e derivados. O choque passou a pressionar combustíveis, insumos industriais, custos logísticos e parte da cadeia de alimentos desde março. Parte desse impacto tende a ser compensada pela valorização do Real frente ao dólar, pela expectativa de juros mais elevados ao longo de 2026 e por medidas mitigatórias adotadas pelo governo federal para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor doméstico.

Antes do agravamento do conflito geopolítico, os indicadores do IPCA apontavam trajetória de desaceleração inflacionária e convergência para a meta. Com a alta do petróleo, porém, o cenário passou a indicar inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026. A revisão incorporou fatores como valorização das commodities energéticas, apreciação cambial estimada para 2026, expectativa de Selic em patamar mais elevado e os resultados recentes do IPCA acima das projeções anteriores. A estimativa já considera bandeira tarifária amarela para energia elétrica em dezembro de 2026. Os alimentos deixarão de contribuir para a desaceleração da inflação em 2026. Fatores estruturais ligados ao ciclo pecuário devem pressionar carnes, leite, derivados e produtos semielaborados.

O risco de ocorrência de El Niño na segunda metade do ano e o prolongamento das pressões sobre fertilizantes também podem afetar a safra 2027 e antecipar impactos inflacionários ainda em 2026. Para 2027, a projeção de inflação foi revisada para 3,5% devido à maior inércia inflacionária de 2026. Parte desse efeito deve ser compensada pelos impactos defasados da política monetária restritiva e pela expectativa de câmbio mais apreciado. Para 2028, 2029 e 2030, o Ministério da Fazenda manteve expectativa de convergência da inflação para 3,0%. O Ministério da Fazenda também elevou a projeção do INPC de 2026 de 3,8% para 4,6%. O índice deve superar o IPCA em razão do maior peso dos alimentos em sua composição.

Para o IGP-DI, a estimativa foi mantida em 4,9%, refletindo aceleração recente provocada principalmente pelos produtos ligados à cadeia petroquímica. Foi mantida a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2,3% para 2026 e em 2,6% para 2027. Os efeitos contracionistas da Selic mais elevada têm sido compensados pela melhora dos termos de troca associada à alta do petróleo, com impactos positivos sobre indústria extrativa, balança comercial e encadeamentos produtivos. A projeção para o PIB agropecuário permaneceu em 1,2%. Para a indústria, a estimativa foi mantida em 2,2%, sustentada pelo desempenho da indústria extrativa. A previsão para os serviços permaneceu em 2,4%, apoiada pela expansão da renda, crédito e mercado de trabalho resiliente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.