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14/May/2026

Dólar supera R$ 5,00 com tensão política doméstica

O dólar registrou forte valorização no mercado brasileiro nesta quarta-feira (13/05) e superou o patamar de R$ 5,00, encerrando a sessão em alta de 2,31%, cotado a R$ 5,0086, após atingir máxima de R$ 5,01. O movimento interrompe uma sequência recente de três pregões em níveis inferiores a R$ 4,90 e leva a moeda ao maior fechamento desde 10 de abril. A alta foi impulsionada por um aumento da percepção de risco político e fiscal no mercado doméstico, após reportagem do site The Intercept Brasil apontar uma relação de proximidade entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o senador Flávio Bolsonaro. O conteúdo menciona trocas de mensagens e tratativas envolvendo financiamento de cerca de US$ 24 milhões para produção de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que elevou a incerteza sobre o cenário eleitoral. O ambiente político também foi afetado por leituras de mercado sobre medidas do governo federal voltadas à contenção de preços de combustíveis e ações recentes de estímulo ao consumo, incluindo a ampliação de isenção de imposto de importação para compras de até US$ 50,00.

O conjunto de iniciativas é interpretado por agentes financeiros como potencial aumento de risco fiscal. No campo político-eleitoral, pesquisas Genial/Quaest indicaram melhora na avaliação do governo e vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro em simulações eleitorais, ao mesmo tempo em que operadores destacam maior sensibilidade dos ativos ao avanço do nome do senador na disputa presidencial, diante da expectativa de mudanças na política econômica em um horizonte pós-2027. O cenário externo também contribuiu para o movimento do câmbio. Nos Estados Unidos, a leitura acima do esperado do índice de preços ao produtor (PPI) em abril reforçou expectativas de juros mais elevados, pressionando os rendimentos dos Treasuries. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançou cerca de 0,20%, para a faixa de 98,480 pontos, após atingir máxima de 98,598 pontos.

O Real chegou a operar em leve alta no início do pregão, sustentado por fatores como diferencial de juros e termos de troca, mas perdeu força ao longo do dia com a intensificação das incertezas domésticas e ajustes técnicos no mercado, incluindo realização de lucros e acionamento de ordens automáticas de venda. A queda do petróleo, ainda que moderada, também reduziu o suporte à moeda brasileira via melhora marginal nas commodities. Operadores destacam que o movimento de câmbio segue fortemente influenciado pelo ambiente externo, mas com aumento da relevância dos fatores internos no preço dos ativos. Analistas de mercado indicam que o episódio reforça a sensibilidade do câmbio ao ambiente político em ano pré-eleitoral, com aumento da volatilidade e maior propensão a movimentos rápidos de ajuste. Avaliações também apontam que a narrativa eleitoral passa a ter peso crescente na precificação de risco, ao lado do diferencial de juros e do cenário global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.