14/May/2026
O avanço da digitalização no agronegócio deve ampliar a produtividade no campo, reduzir riscos operacionais e destravar novas formas de comercialização, incluindo a tokenização de ativos agrícolas. O movimento envolve o uso crescente de inteligência artificial, sensores, análise de dados e plataformas digitais aplicadas à gestão rural e à cadeia de suprimentos. No campo produtivo, dados do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) indicam que a produtividade média da soja no Brasil está em cerca de 56 sacas de 60 Kg por hectare, enquanto áreas mais tecnificadas alcançam até 129 sacas de 60 Kg por hectare, evidenciando o potencial de ganho associado à adoção de tecnologias. Esse diferencial reforça a digitalização como vetor de aumento de eficiência e de redução da heterogeneidade produtiva entre propriedades.
A transformação tecnológica é caracterizada como uma nova etapa da agricultura, após ciclos históricos de mecanização, uso de insumos químicos e biológicos, agora seguida pela incorporação de soluções digitais. Esse processo inclui ferramentas voltadas à gestão integrada da produção, rastreabilidade e monetização de ativos agrícolas. No eixo de comercialização, a tokenização de commodities agrícolas aparece como alternativa para ampliar liquidez e eficiência nas transações. O modelo permite transformar grãos em ativos digitais, facilitando operações comerciais e potencialmente reduzindo o tempo de execução de vendas por cooperativas e produtores. Entre os exemplos citados no ecossistema internacional está a plataforma Agrotoken, que converte grãos em ativos digitais utilizados em transações financeiras e comerciais. Apesar do avanço das soluções digitais, a conectividade no campo permanece como principal gargalo estrutural.
Regiões produtoras do Centro-Oeste e polos agrícolas do Nordeste ainda enfrentam limitações de acesso à internet de qualidade, o que restringe a adoção plena dessas tecnologias. Áreas como o Vale do São Francisco e regiões vitivinícolas do Sul são apontadas como exemplos em que o uso de dados climáticos e históricos já se tornou relevante diante da maior variabilidade climática. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reforça que o desenvolvimento da agricultura digital depende da integração entre conectividade, pesquisa aplicada e capacidade de transformar dados em soluções práticas para o produtor rural. O tratamento adequado das informações é considerado elemento central para geração de valor econômico no campo. O avanço da digitalização tende a consolidar uma nova fase do agronegócio brasileiro, combinando aumento de produtividade, novas formas de financiamento e maior integração entre produção e mercado, com potencial de impacto direto na competitividade do setor. A Sound Agriculture defendeu o uso no campo de tecnologia e inteligência artificial.
Com a tecnologia, é possível dizer que tipo de bactéria e fungo existe em cada pedaço de solo. Esse avanço é importante porque tratamos o solo como organismo vivo. A tokenização permite ao produtor conhecer cada pedaço do solo, o que faz com que as medidas para uso de insumos deixem de ser estáticas, além de facilitar que o produtor rastreie o que está acontecendo com esse solo. Destaque também para importância que esse conhecimento tem quando se fala da venda do “grão futuro". Para vender um grão futuro há muita burocracia, que gera perda de eficiência e também nisso a tokenização pode ajudar. Até há pouco, a agricultura de precisão era feita olhando a química do solo e hoje é possível ver mapas para verificar onde aplicar, o que aplicar, quanto aplicar. A próxima onda será conseguir juntar os dados de solo, clima, insumos para fazer recomendação dos nutrientes em tempo real. Isso já é feito em alguns lugares. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.