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13/May/2026

Dólar estável mesmo escalada de tensões EUA-Irã

O mercado de câmbio brasileiro voltou a demonstrar resiliência diante do agravamento das tensões no Oriente Médio, com o dólar encerrando mais uma sessão abaixo de R$ 4,90 mesmo em um ambiente global de fortalecimento da moeda norte-americana. O dólar encerrou a sessão desta terça-feira (12/05), próximo à estabilidade, a R$ 4,89. O comportamento do Real reforça a percepção de que fatores domésticos seguem oferecendo sustentação relevante à moeda brasileira, especialmente o diferencial de juros elevado e a melhora dos termos de troca favorecida pela alta das commodities energéticas. O avanço do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados elevou significativamente a aversão global ao risco e impulsionou o petróleo Brent para níveis acima de US$ 107,00 por barril. Em condições normais, um cenário de maior tensão geopolítica e fortalecimento global do dólar tenderia a pressionar de forma mais intensa moedas emergentes.

No entanto, o Real conseguiu novamente apresentar desempenho superior ao de boa parte das divisas internacionais. A valorização do petróleo exerce efeitos ambíguos sobre a economia brasileira, mas, no curto prazo, favorece o câmbio. Como o Brasil é exportador líquido de petróleo, a elevação das cotações melhora a perspectiva de ingresso de dólares via balança comercial e contas externas. Esse fator ajuda a compensar parte da pressão decorrente do aumento da percepção de risco internacional. Ao mesmo tempo, o choque no petróleo amplia os riscos inflacionários domésticos e reduz o espaço para flexibilização monetária pelo Banco Central. A leitura do IPCA de abril reforçou esse cenário. Embora o índice tenha vindo em linha com as expectativas, o nível da inflação permanece elevado e mantém o mercado apostando em juros altos por período prolongado.

Esse ambiente preserva o chamado “carry trade”, estratégia em que investidores internacionais direcionam recursos para países com juros mais elevados. O Brasil segue oferecendo um dos maiores diferenciais de juros reais do mundo, o que sustenta a entrada de capital financeiro e aumenta a atratividade do Real, mesmo em períodos de volatilidade externa. A combinação de Selic elevada, fluxo comercial robusto e valorização das commodities ajuda a explicar por que o dólar continua sem força consistente para retornar acima de R$ 5,00, apesar do ambiente fiscal doméstico ainda desafiador e da proximidade do ciclo eleitoral de 2026. No cenário internacional, os dados de inflação dos Estados Unidos reforçaram a expectativa de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) por mais tempo.

O índice de preços ao consumidor norte-americano permaneceu pressionado, especialmente nos núcleos inflacionários, sustentando a valorização global do dólar e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. Mesmo assim, o desempenho relativo do Real continua positivo. A moeda brasileira acumula forte valorização em 2026, beneficiada não apenas pelo diferencial de juros, mas também pelo perfil exportador da economia brasileira em um momento de alta de commodities agrícolas, metálicas e energéticas. Para os próximos meses, o comportamento do câmbio deve continuar altamente dependente de três fatores principais: evolução do conflito no Oriente Médio, trajetória da inflação e dos juros nos Estados Unidos e manutenção da política monetária restritiva no Brasil. Enquanto o diferencial de juros permanecer elevado e os preços das commodities sustentados, o Real tende a continuar relativamente protegido, mesmo em um ambiente internacional mais adverso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.