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11/May/2026

Fiagros: mercado está mais seletivo e exigente

Quando chegaram à Bolsa brasileira em 2021, os fundos de investimento nas cadeias agroindustriais (Fiagros) viraram assunto recorrente no mercado financeiro: eram a promessa de aproximar investidores do agronegócio por meio de veículos com isenção fiscal e distribuição de rendimentos. Após o boom inicial, porém, o tema perdeu espaço. A indústria, no entanto, não encolheu, entrou em uma espécie de "teste de estresse", marcado por juros elevados, eventos de crédito e uma curva de aprendizado tanto para gestores quanto para investidores. O consenso entre especialistas é que a classe atravessa um processo de amadurecimento forçado, ainda que natural. Depois de anos iniciais de forte expansão, a deterioração das margens no agronegócio, a alta da inadimplência e casos de recuperação judicial (RJ) levaram o mercado a reforçar critérios de análise, elevar exigências de garantias e priorizar empresas mais resilientes.

O ambiente mais desafiador ganhou força após uma sequência de problemas financeiros no setor agropecuário. Casos como o da AgroGalaxy ajudaram a deteriorar a percepção de risco entre investidores e afetaram até fundos sem exposição direta às empresas em dificuldade. O efeito, segundo gestores, foi um aumento da seletividade e maior preocupação com liquidez e estrutura de crédito. Segundo a Éxes, a preocupação maior hoje é com o risco e não com o retorno. O apetite ao risco caiu e as gestoras passaram a aceitar menos retorno em troca de estruturas mais sólidas, com garantias mais robustas e maior capacidade de enfrentamento de cenários adversos. Para a Valora Investimentos, o setor opera sob um conjunto de pressões simultâneas: clima, commodities, câmbio, juros e tensões geopolíticas. O mercado saiu de um ciclo de euforia para um ambiente em que a disciplina de crédito se tornou central. Além dos juros elevados, o agro enfrenta pressão de custos com diesel e fertilizantes, enquanto os preços das commodities não acompanharam o mesmo ritmo.

Eventos climáticos adversos e choques externos ligados a guerras internacionais adicionaram mais volatilidade ao setor, comprimindo margens em praticamente toda a cadeia. Apesar do momento mais cauteloso, o setor não está paralisado. A leitura predominante é que o mercado passou a separar operações mais frágeis de estruturas consideradas mais sólidas, criando um processo de depuração. "O mundo precisa do Brasil para comer", então os fundamentos de longo prazo do agronegócio seguem positivos. Dados do boletim mensal mais recente da B3 mostram que havia cerca de 585 mil investidores em Fiagros em março de 2026, número praticamente estável em relação ao mesmo período no ano anterior (543,9 mil). A base segue fortemente concentrada em investidores pessoa física, que respondem por mais de 90% da custódia e da maior parte do volume negociado. Ou seja, o interesse do varejo permanece, mesmo em um ambiente mais volátil.

Mesmo em meio ao período de estresse, o setor viu espaço para evolução regulatória. O escritório Candido Martins Cukier menciona que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a permitir recentemente estruturas de "Fiagro multimercado", ampliando a possibilidade de combinar crédito, imóveis rurais e participações societárias dentro de um mesmo veículo. Outra mudança relevante foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que confirmou as restrições à compra de terras por estrangeiros, mas preservou a possibilidade de investidores internacionais acessarem propriedades rurais de forma indireta por meio de cotas de Fiagros. A medida pode fortalecer especialmente os fundos com estratégia imobiliária. Os especialistas avaliam que o desempenho da indústria nos próximos meses dependerá principalmente da trajetória dos juros e da estabilidade do cenário macroeconômico. Até lá, o setor deve seguir operando sob maior cautela e com investidores mais seletivos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.