ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

11/May/2026

Acordo com UE fortalece atratividade do Mercosul

Segundo avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o acordo entre Mercosul e União Europeia elevou o interesse de outros países em acelerar negociações comerciais com o Brasil. Além dos ganhos diretos para as exportações brasileiras, o tratado ampliou a atratividade do País em meio ao atual cenário geopolítico internacional. Representantes diplomáticos de diversos países passaram a buscar maior aproximação com o Brasil para retomar ou acelerar acordos comerciais em negociação. Esse movimento é atribuído à relevância do agronegócio brasileiro, à segurança energética e à estabilidade política regional. A conclusão do tratado com a União Europeia tende a impulsionar as negociações do Mercosul com Singapura, Canadá e Emirados Árabes Unidos.

O enfraquecimento do multilateralismo, associado às políticas tarifárias dos Estados Unidos e às incertezas geopolíticas globais, também estaria estimulando países a ampliar suas redes de acordos bilaterais. A entidade considera que os acordos bilaterais ganharam importância estratégica para o comércio exterior brasileiro diante das limitações do sistema multilateral de comércio e do enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). A União Europeia é atualmente o segundo principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com embarques de US$ 25,21 bilhões no último ano, incluindo o setor florestal, equivalentes a 15% das vendas externas do segmento. A entrada em vigor do acordo comercial desde 1º de maio elevou a competitividade dos produtos agropecuários brasileiros no mercado europeu.

Cerca de 39% dos produtos agropecuários exportados pelo Brasil ao bloco passaram a contar com tarifa zero, favorecendo a competitividade frente a outros fornecedores internacionais. Entre os segmentos com maior potencial de expansão, destaca-se a cadeia de frutas, já que a União Europeia é o principal destino das exportações brasileiras do setor. Produtos como uva passaram a contar com tarifa zerada, anteriormente em 15%, enquanto banana recebeu isenção imediata e melão e limão entraram em cronograma de redução tarifária. A entidade destacou ainda o potencial de crescimento das exportações brasileiras de frutas, considerando que o País é o terceiro maior produtor mundial do segmento e exporta menos de 3% de sua produção total.

A Europa também é considerada um importante centro de redistribuição comercial para outros mercados. Nos produtos de maior valor agregado, o café torrado está entre os itens potencialmente beneficiados pela redução tarifária gradual prevista no acordo. Do lado das importações, há possibilidade de impactos sobre setores considerados mais expostos à concorrência europeia, como vinhos e lácteos. O acordo prevê tratamento diferenciado para esses segmentos e o período de desgravação tarifária deverá ser utilizado para discussão de medidas de apoio à competitividade doméstica. A entidade também alertou para potenciais limitações ao acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado europeu em razão de mecanismos como as salvaguardas agrícolas e a Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR).

Caso a legislação europeia entre em vigor nos moldes atuais em janeiro de 2027, poderá haver impactos relevantes sobre as exportações brasileiras. Nesse cenário, a entidade defende eventual utilização do mecanismo de reequilíbrio de concessões previsto no próprio acordo entre Mercosul e União Europeia. O tratado marca uma nova etapa para o Mercosul, que possui experiência limitada em grandes acordos comerciais. O modelo poderá servir de referência para futuras negociações do bloco, inclusive nos critérios de divisão de cotas entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. As cotas destinadas à União Europeia ainda seguem em negociação entre os países do Mercosul. O Paraguai defende divisão igualitária, enquanto parte do setor privado apoia distribuição baseada no histórico de exportações ao mercado europeu. A CNA manifestou apoio ao modelo baseado na participação histórica dos países nas vendas ao bloco europeu. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.