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11/May/2026

Brasil espera que EUA não imponha novas tarifas

Integrantes do governo federal avaliam que a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi fundamental para desarmar a possibilidade de novas sanções econômicas contra o Brasil. Mesmo assim, a postura será cautelosa, devido à imprevisibilidade das ações de Trump. Aliados de Lula enxergam a reunião do dia 7 de maio como um capítulo final de uma ofensiva diplomática montada pelo governo federal desde que Trump anunciou o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, em julho passado. Desde lá, o governo brasileiro buscou confrontar argumentos de déficit comercial por parte dos Estados Unidos, eliminar a contaminação política das medidas e tentar criar pontes de comunicação com o governo norte-americano. Apesar disso, o clima não é de vitória, tendo em vista a capacidade de Trump de tomar decisões que fogem da normalidade diplomática.

Integrantes do governo analisam o momento como uma oportunidade de chegar ao fim das investigações sobre supostas práticas comerciais desleais brasileiras, que podem desaguar em novas tarifas, além de liberar os vistos de autoridades ainda proibidas de pisar nos Estados Unidos. Por isso, o governo vê com bons olhos o grupo de trabalho bilateral, criado após consenso entre Lula e Trump, que terá 30 dias para discutir as tarifas dos dois países. Ao mesmo tempo em que se abre uma oportunidade de negociação direta, se reduz a possibilidade de sanções neste período. O grupo de trabalho deve começar a atuar, por parte do Brasil, já nesta semana. Quem vai estar na frente das articulações, do lado brasileiro, é o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa. Apesar de não terem sido tratadas por Lula e Trump na reunião, o documento entregue ao presidente norte-americano contém argumentos sobre o Pix, que está na mira dos Estados Unidos.

O governo brasileiro admite que o Pix vem diminuindo o uso de cartões de correntistas antigos, o que gerou insatisfação das grandes operadoras norte-americanas. Mesmo assim, o Brasil argumenta que a ferramenta também impulsionou a bancarização, levando novos clientes ao mercado. Com a abertura de contas, é comum que correntistas já recebam de imediato um cartão de débito e a oferta de um de crédito. Outro assunto que não foi discutido, mas teve a visão brasileira presente no documento recebido pelo presidente dos Estados Unidos, foi a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Os Estados Unidos alegam que o PCC e o CV representam uma “ameaça à segurança regional” e a medida ajudaria a “asfixiar financeiramente” os grupos.

Porém, o governo brasileiro não enxerga a medida com bons olhos. Há o temor de que a classificação das facções como grupos terroristas possa abrir margem para ações norte-americanas no território brasileiro, com a justificativa de combate ao terror, além de afetar a economia e o turismo. Sobre minerais críticos, além de destacar a aprovação na Câmara dos Deputados da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, Lula deixou claro a Trump que os Estados Unidos estão convidados a cooperar com a exploração dos materiais. Porém, o presidente brasileiro salientou que os Estados Unidos não terão uma parceria exclusiva abrangendo os minerais críticos brasileiros. Além disso, o presidente sustentou que o Brasil não irá somente exportar a matéria-prima e vai ser um agente na mineração, produção e produção dos produtos derivados, a fim de gerar valor agregado e desenvolvimento econômico.

Lula buscou passar para Trump a mensagem de que o Brasil está mais próximo da China do que dos Estados Unidos por decisões tomadas por parte do governo norte-americano, e não do brasileiro. A mensagem de que o governo brasileiro está disposto a voltar a ter uma relação comercial e diplomática pacificada com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que segue fortalecendo a parceria com a China, simbolizada pela abdicação da exigência de vistos para chineses, que entra em vigor nesta segunda-feira (11/05). Balanço do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostrou que o Brasil liderou o ranking de investimentos chineses pelo mundo em 2026. Foram R$ 6,1 bilhões em aportes, concentrados principalmente nos setores de energia, mineração e mobilidade elétrica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.