11/May/2026
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) - Rendimento de todas as fontes, divulgada na sexta-feira (08/05), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento mensal real domiciliar per capita no Brasil subiu a um recorde de R$ 2.264 em 2025, alta de 6,9% em relação a 2024. Houve melhora em todas as faixas de renda, porém a desigualdade teve ligeira alta em 2025, após ter descido ao piso histórico em 2024. Em meio ao mercado de trabalho aquecido e aos juros elevados remunerando mais aplicações financeiras, os brasileiros mais ricos tiveram ganho maior do que os demais estratos da população. A população de maior renda teve crescimento acima da média populacional, apesar de a renda ter crescido para todos os estratos. Não houve piora da renda. O topo da pirâmide teve um crescimento acima da média populacional. A renda média real domiciliar per capita dos 10% mais pobres do País subiu 3,1% em 2025 ante 2024, já descontada a inflação do período.
Apesar da melhora, o resultado significa que essas pessoas sobreviveram com apenas R$ 268,00 mensais, o equivalente a R$ 8,93 por dia no ano passado. Ao mesmo tempo, a variação no rendimento médio per capita ocorreu com maior intensidade no limite superior da distribuição: os 10% mais ricos tiveram um ganho de 8,7%, para R$ 9.117,00 mensais por pessoa da família. Se considerados apenas os integrantes da fatia 1% mais rica da população brasileira, a renda per capita foi de R$ 24.973 em 2025, 9,9% maior que a de 2024. A parcela mais pobre da população é alvo prioritário de benefícios sociais, que não tiveram reajuste relevante no ano passado. Por outro lado, podem explicar o ganho maior de renda entre os mais ricos o avanço na remuneração de trabalhadores mais qualificados em um mercado de trabalho aquecido, os juros altos proporcionando mais retorno a aplicações financeiras e o rendimento proveniente de aluguéis também em trajetória ascendente. Teve a questão do mercado de trabalho, pode ter rendimento de outras fontes, como as aplicações financeiras e o rendimento de aluguel, que teve aumento importante em relação a 2024. Parte dessa alta renda é de aluguel.
Esse período de juros mais elevados e maior rentabilidade de algumas aplicações pode sim contribuir para a renda desses domicílios de rendimento alto. Essa parte da população pode ter sido beneficiada por essas aplicações. Considerando um período mais longo, o quadro se inverte. Em relação ao pré-pandemia, também houve aumento do rendimento domiciliar per capita em todas as faixas de distribuição, mas o crescimento foi mais significativo entre os mais pobres. O aumento do rendimento médio alcançou 78,7% entre os 10% mais vulneráveis em 2025 ante 2019, enquanto os 10% mais ricos tiveram um ganho de 11,9%. Na média da população, a renda cresceu 18,9%. Em relação a 2019, as classes mais baixas cresceram bem mais a renda, e a de maior renda foi a que menos cresceu. A situação muda de acordo com o período de referência que a gente está olhando. Se olhar o mercado de trabalho, essas classes mais baixas tiveram ganho de renda importante. Teve também reajuste do salário-mínimo e os programas sociais do governo.
O índice de Gini do rendimento médio domiciliar per capita de todas as fontes (indicador que mede a desigualdade de renda, numa escala de 0 a 1, em que, quanto mais perto de 1 o resultado, maior é a concentração de riqueza) subiu de uma mínima histórica de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025, mas permanece ainda significativamente abaixo do registrado em 2019, de 0,543. A renda permanece bastante concentrada no Brasil. Os 10% da população com os maiores rendimentos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% com os menores rendimentos em 2025. Os 10% mais ricos concentravam 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, o que significa um bolo maior do que a parcela de 32,8% auferida pelos 70% mais pobres juntos. A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita atingiu um ápice de R$ 481,389 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% em relação a 2024. O mercado de trabalho aquecido ajudou a aumentar o número de brasileiros com algum tipo de renda para um recorde de 143 milhões de pessoas em 2025, o correspondente a 67,2% de toda a população do País.
Ao mesmo tempo, recuou a incidência de lares recebendo Bolsa Família. A população com rendimento habitual do trabalho subiu a 101,6 milhões, enquanto a população que recebia aposentadoria e pensão somou um ápice de 29,3 milhões. Os beneficiários de programas sociais do governo totalizaram 19,4 milhões. Considerando as pessoas com alguma renda, o rendimento médio de todas as fontes alcançou um auge de R$ 3.367,00 em 2025, ficando 5,4% acima do registrado em 2024. O rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos também foi recorde: R$ 3.560,00, alta de 5,7%. Quanto ao valor médio do rendimento de outras fontes, a categoria aposentadoria e pensão manteve o maior valor médio em 2025, R$ 2.697,00; o de programas sociais do governo foi de R$ 870,00; o de aluguel e arrendamento, R$ 2.526,00 em 2025 (o que representa um aumento de 11,8% se comparado a 2024); pensão alimentícia e mesada, R$ 863,00; e demais rendimentos, como seguro-desemprego, aplicações financeiras e bolsas de estudos, R$ 2.302,00.
A participação dos programas sociais no rendimento domiciliar per capita teve recuo de 3,8% em 2024 para 3,5% em 2025. Tal variação está relacionada ao fato de que no último ano houve estabilidade tanto do valor médio pago como benefício pelo conjunto dos programas sociais do governo quanto do total de pessoas que recebiam tais benefícios, enquanto algumas outras categorias de rendimento tiveram aumento nesses componentes. A proporção de domicílios com algum beneficiário do programa Bolsa-Família recuou de 18,6% em 2024 para 17,2% em 2025, mas a fatia de lares com beneficiário do BPC-LOAS aumentou de 5,0% para 5,3% no período, maior percentual da série histórica iniciada em 2012. O percentual de domicílios que recebiam rendimentos de outros programas sociais aumentou de 2,1% em 2024 para 2,4% em 2025. O rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios que recebiam o Bolsa Família era de R$ 774,00 em 2025, o equivalente a menos de 30% do rendimento médio de R$ 2.682,00 registrado pelos domicílios não beneficiados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.