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08/May/2026

Brasil e Estados Unidos: avanço na relação bilateral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump, realizaram reunião em Washington nesta quinta-feira (07/05) com foco em comércio bilateral, tarifas, minerais críticos e cooperação contra crimes transnacionais. O encontro, classificado pelo governo brasileiro como positivo e amistoso, durou cerca de três horas na Casa Branca. O governo brasileiro reiterou aos Estados Unidos a necessidade de conclusão da investigação comercial conduzida sob a Seção 301, considerada uma das principais preocupações do Brasil nas relações bilaterais. Os dois países devem realizar nova rodada de negociações nos próximos 30 dias com o objetivo de avançar no encerramento do processo. A investigação norte-americana está relacionada às sobretaxas impostas sobre produtos brasileiros desde 2025, medida que afetou o fluxo comercial entre os dois países. O governo brasileiro defende retomada do crescimento das exportações e importações bilaterais após a retração observada no último ano.

As discussões envolveram detalhamento das tarifas aplicadas pelo governo norte-americano, além de cooperação em segurança pública e combate ao crime organizado transnacional. Na área econômica, Brasil e Estados Unidos avançam em negociações para novos acordos de cooperação aduaneira, combate à lavagem de dinheiro e operações conjuntas contra fraudes transnacionais e tráfico internacional. O governo brasileiro destacou aos norte-americanos que o Brasil registrou déficit comercial bilateral entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões no ano passado, dependendo da metodologia utilizada, argumento apresentado para contestar as justificativas relacionadas às tarifas comerciais. Os minerais críticos e estratégicos também ganharam espaço relevante nas discussões. O ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, afirmou que o governo apresentou aos Estados Unidos o novo marco legal brasileiro para o setor mineral, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados.

O Brasil defende atração de investimentos internacionais para exploração, beneficiamento e refino de minerais estratégicos, preservando desenvolvimento da indústria nacional e ampliando a participação do País na cadeia global de manufatura desses materiais. O projeto aprovado pela Câmara cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê incentivos fiscais por meio do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos, com créditos fiscais de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. O encontro sinaliza tentativa de reaproximação econômica e diplomática entre Brasil e Estados Unidos após período marcado por tensões comerciais, tarifas adicionais e disputas envolvendo comércio exterior e investimentos estratégicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar "muito otimista" em relação ao risco de os Estados Unidos imporem novas tarifas ao Brasil. "Tem divergência entre eles e nós que ficou explicitada na reunião. O ministro dele falou uma coisa, os nossos ministros falaram outra. Como a gente não podia ficar debatendo, eu propus dar 30 dias para eles resolverem o problema e nós voltamos a conversar", disse. “Temos muito interesse que os Estados Unidos voltem a investir no Brasil”, reforçou Lula. “Temos condições de oferecer aos outros países a oportunidade de construir data centers (no Brasil), desde que eles arquem com produção de energia”.

Ainda, o presidente Lula disse que não discutiu as investigações da equipe econômica dos Estados Unidos sobre o Pix. Em tom de brincadeira, Lula disse que espera que o norte-americano utilize o mecanismo financeiro. "Uma das razões por que eu trouxe o Dario (Durigan, ministro da Fazenda) foi porque eu imaginava que o presidente Trump queria discutir a questão do Pix. Ele não tocou no assunto, então eu também não toquei. Eu espero que um dia ele ainda faça um Pix, porque muitas empresas norte-americanas já fazem", disse Lula. O presidente também afirmou que, durante a reunião, disse a Trump que o Brasil sofre uma fiscalização comercial sem procedência.

A resposta do presidente norte-americano foi que há produtos em que o governo brasileiro coloca altas taxas. A solução encontrada foi um grupo de trabalho formado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que vão tentar encontrar uma solução em até 30 dias. A reunião foi considerada positiva. O prazo do encontro era de uma hora, mas acabou sendo de três horas. Segundo o presidente, isso se deu porque os dois gostaram do encontro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.