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07/May/2026

Petróleo responde por 60% da inflação no 1º trimestre

Segundo o banco Daycoval, a inflação no Brasil no primeiro trimestre de 2026 foi majoritariamente impulsionada por fatores de oferta, com destaque para o choque nos preços do petróleo, que respondeu por cerca de 60% da alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período. O indicador acumulou 1,4% em três meses, com contribuição estimada de 0,82% proveniente do componente de oferta, enquanto o fator de demanda adicionou 0,35%. O impacto do petróleo sobre a inflação ocorre por múltiplos canais. Há efeito direto sobre preços administrados e bens industriais, especialmente combustíveis, além de influência indireta por meio das expectativas inflacionárias, que reforçam a inércia e pressionam o setor de serviços ao longo do tempo.

O principal vetor no curto prazo é o repasse imediato aos preços administrados, com desdobramentos subsequentes sobre bens industriais e, em horizonte mais longo, sobre serviços. Apesar da predominância do choque de oferta no período recente, o componente doméstico de demanda mantém contribuição positiva, ainda que mais moderada. O cenário reflete um hiato do produto ainda em terreno positivo, porém em desaceleração desde o pico observado em 2024. Em horizontes mais longos, a demanda continua sendo fator relevante na composição inflacionária, especialmente na métrica acumulada em 12 meses. As expectativas inflacionárias também reforçam o quadro de pressão.

Projeções indicam contribuição de 2,2% associada à oferta, frente a 1,5% vinculada à demanda no primeiro trimestre, sinalizando manutenção do efeito de inércia enquanto persistirem choques nos preços de energia. O cenário combinado de pressão de oferta, influência das expectativas e contribuição ainda presente da demanda limita a margem para flexibilização da política monetária. A leitura sugere necessidade de monitoramento contínuo para evitar amplificação dos choques, especialmente diante de experiências anteriores em que fatores de oferta foram potencializados por demanda aquecida e desancoragem das expectativas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.