07/May/2026
Embora o fechamento do Estreito de Ormuz venha sufocando a economia mundial nos últimos dois meses, há quem esteja se beneficiando da instabilidade global. Produtores de petróleo de fora do Oriente Médio, como Canadá, Noruega, Rússia e China, vêm usufruindo do aumento dos lucros com energia. Brasil e Indonésia também tendem a sair ganhando da situação. Em resposta aos ataques de Estados Unidos e Israel, o Irã tem controlado a passagem de navios pelo estreito a conta-gotas. Por ali passa cerca de 20% do petróleo mundial, o que fez o preço do barril disparar para mais de US$ 100,00 beneficiando países exportadores fora das hostilidades. Diversos países também iniciaram um planejamento para migrar para outras matrizes, como o carvão e a energia verde. Noruega, Canadá e Rússia registraram aumento do lucro com a exportação de petróleo nos últimos dois meses. A China pode obter vantagens com a aceleração da transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia renovável. Segundo o Instituto Macdonald-Laurier, a segurança energética no mundo está em jogo.
A diversificação no fornecimento de energia e nas matrizes energéticas virou uma obrigação, e os mercados de energia têm uma nova realidade. O Canadá projeta uma imagem de estabilidade para atrair compradores que enfrentam dificuldades com o fechamento de Ormuz. Após o início da guerra, o Canadá se posicionou como "um produtor de energia estável, confiável, previsível e baseado em valores". O país é o quarto maior produtor de petróleo do mundo e quer ampliar a produção para se beneficiar de forma permanente do novo momento. O projeto de governo canadense é de longo prazo, mas pode contribuir para aumentar a importância geopolítica do país. O Canadá possui reservas consideráveis de petróleo, e o governo do primeiro-ministro Mark Carney é mais favorável à indústria de petróleo e gás do que o anterior. De acordo com estudo divulgado pelo Centro Canadense de Alternativas Políticas, a indústria canadense de petróleo e gás está lucrando US$ 170 milhões extras por dia devido ao aumento da demanda e à alta dos preços.
No primeiro mês do conflito no Oriente Médio, o setor petrolífero do país obteve lucros superiores a US$ 6 bilhões, o que representa US$ 4 bilhões a mais do que no mês anterior. O governo canadense deseja expandir uma série de oleodutos, como o Trans Mountain, que liga a província de Alberta ao Oceano Pacífico, e o Keystone XL, que ampliaria o fluxo de petróleo do Canadá para os Estados Unidos. O Canadá também planeja ampliar o sistema de oleodutos por meio de um projeto chamado Programa de Expansão Sunrise, na província da Colúmbia Britânica. A Noruega é outro país que tenta se apresentar como alternativa ao mercado, menos suscetível a disrupções. "Nosso produto não é petróleo e gás", disse Snorre Skjevrak, secretário de Estado do Ministério da Energia da Noruega, após o início da guerra. "Mas sim estabilidade, confiabilidade e uma perspectiva de longo prazo." O país nórdico é o maior produtor de petróleo da Europa Ocidental e exporta quase toda a sua produção de petróleo e gás para a União Europeia e o Reino Unido.
Desde o início do conflito, o governo norueguês arrecadou US$ 5 bilhões extras, e economistas esperam que esse valor aumente ainda mais. É o melhor primeiro trimestre desde 1989 para a Noruega, segundo o Nordea. O Nordea estima que a Noruega pode faturar mais de US$ 6 bilhões se a instabilidade no Estreito de Ormuz se prolongar. Segundo a University of Inland Norway, exportadores de petróleo e gás sempre se beneficiam de crises mundiais, porque elas abalam o mercado. Então a Noruega está colhendo os frutos disso. Mas há um limite de produção. A Noruega não consegue competir com nações como Rússia e Arábia Saudita no fornecimento de petróleo. As plataformas de perfuração da Noruega já estão operando em capacidade máxima, e as empresas petrolíferas não têm como aumentar muito a produção. Essas dificuldades tendem a limitar os possíveis ganhos dos noruegueses no longo prazo, em um cenário pós-guerra. Seria possível aumentar a produção no Ártico, mas existem muitos problemas ambientais e não há um consenso político para expandir as operações de petróleo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.