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07/May/2026

Dúvidas sobre acordo EUA-Irã para encerrar guerra

O governo dos Estados Unidos avalia estar próximo de um acordo com o Irã para encerrar a guerra e abrir caminho para negociações nucleares mais amplas, segundo informações do site norte-americano Axios. Ainda não há consenso, mas autoridades norte-americanas aguardam uma resposta do Irã sobre pontos considerados centrais nas próximas 48 horas. O entendimento em discussão prevê um memorando com cerca de 14 itens, incluindo uma moratória no enriquecimento de urânio por parte do Irã, a suspensão gradual de sanções pelos Estados Unidos e a liberação de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados. Também está em negociação a retomada da navegação no Estreito de Ormuz, afetada pelo conflito. O documento marcaria o fim das hostilidades e abriria um período de cerca de 30 dias para tratativas mais detalhadas. Entre os temas estão limites ao programa nuclear iraniano, inspeções internacionais e garantias de que o país não buscará armas nucleares. Parte das medidas dependeria de um acordo final, o que mantém incertezas sobre a estabilidade do entendimento.

Uma fonte do Paquistão, país que atua como mediador, afirmou que Estados Unidos e Irã estão perto de um entendimento e que as informações publicadas pelo Axios são precisas. O Paquistão sediou, no mês passado, as únicas negociações diretas até agora e segue intermediando propostas entre as partes. Nos bastidores, o texto vem sendo discutido por enviados do presidente Donald Trump com autoridades iranianas, de forma direta e por meio de intermediários. A duração da eventual moratória sobre o enriquecimento de urânio ainda é alvo de divergência, fontes indicam propostas que variam de 5 a 20 anos. Apesar de algum otimismo, integrantes do governo norte-americano avaliam que há divisões internas na liderança iraniana, o que pode dificultar um consenso. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou nesta semana que uma solução diplomática é necessária, mas reconheceu a complexidade das negociações. Sinais de avanço nas conversas já têm impacto nos mercados. Notícias sobre um possível acordo fizeram os preços globais do petróleo recuarem, com o barril do Brent caindo mais de 8%.

Bolsas de valores subiram, enquanto os rendimentos dos títulos caíram, refletindo a expectativa de redução nas tensões que afetam o fornecimento de energia. A trégua nas operações também se refletiu na decisão de Donald Trump de suspender temporariamente o chamado “Projeto Liberdade”, missão naval criada para escoltar embarcações no Estreito de Ormuz. O presidente citou “grande progresso” nas negociações como justificativa para a pausa. O Estreito, por onde passa uma parcela relevante do petróleo mundial, tem sido alvo de ataques e restrições desde o início do conflito, no fim de fevereiro. Nos últimos dias, embarcações comerciais voltaram a ser atingidas, e países da região também registraram ofensivas. Autoridades dos Estados Unidos e do Irã não comentaram oficialmente os detalhes das negociações. Um porta-voz do governo iraniano afirmou apenas que o Irã está avaliando a proposta apresentada pelos Estados Unidos. Mas, apesar dos avanços nas conversas, o presidente dos Estados Unidos ameaçou o Irã em uma publicação em rede social. O republicano afirmou que, caso o Irã não aceite um acordo, o cessar-fogo pode ser rompido.

“Se eles não concordarem, os bombardeios começarão e, infelizmente, serão em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, disse Trump. Trump afirmou que era “talvez uma grande suposição” apontar que o Irã aceitaria os termos oferecidos pelos Estados Unidos. Ainda, um parlamentar iraniano afirmou nesta quarta-feira (06/05), que a proposta feita pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra com o Irã é uma “lista de desejos” e não uma “realidade”. “O texto do Axios é uma lista de desejos dos americanos e não uma realidade", escreveu Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento do Irã, em publicação em rede social. “Os norte-americanos não vão conseguir em uma guerra fracassada aquilo que não obtiveram em negociações diretas”, disse Rezaei. “O Irã está com o dedo no gatilho e preparado. Se não se renderem e não concederem as devidas concessões, ou se eles próprios ou seus ‘cães’ fizerem alguma provocação, daremos uma resposta dura e lamentável”, acrescentou o parlamentar.

Os Estados Unidos querem inserir no acordo uma cláusula para garantir que, caso o Irã volte a enriquecer urânio antes do prazo, a suspensão seja prolongada. De acordo com a proposta, o Irã se comprometeria a nunca buscar armas nucleares ou realizar atividades relacionadas à sua produção. Em contrapartida, os Estados Unidos levantariam progressivamente as sanções impostas ao país e liberariam gradualmente bilhões de dólares em fundos iranianos congelados ao redor do mundo. Outro ponto citado pelo Axios é a remoção do urânio enriquecido do território iraniano, com a qual o Irã teria concordado. Desde o início das negociações, o programa nuclear é o ponto central do conflito, já que o governo iraniano resistia às exigências do presidente norte-americano, que reiterou diversas vezes que impedir o Irã de obter uma arma nuclear é sua prioridade. De outro lado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que a cooperação e a coordenação com as forças armadas dos Estados Unidos estão em andamento diante da oportunidade de "mudar a realidade regional" no que chamou de "operação multifacetada", em mensagem via rede social nesta quarta-feira (06/05).

As forças israelenses alertam que possuem "uma série adicional de alvos prontos para serem atacados" no Irã. "Estamos em alerta máximo para retomar uma campanha ampla e poderosa que nos permitirá consolidar nossas conquistas e enfraquecer ainda mais o regime iraniano", afirma o texto. Além do Irã, Israel ressalta que sua missão é "defender as comunidades, eliminar todos os tipos de ameaças e aprofundar o desmantelamento" do grupo xiita libanês Hezbollah. "Todas as capacidades das IDF estão à disposição. Continuem a missão de localizar o inimigo na área e desmantelar a infraestrutura terrorista", diz a nota. A mensagem dura em relação ao conflito no Oriente Médio acontece diante de expectativas para que os Estados Unidos e o Irã alcancem uma resolução para a guerra na região. No entanto, de acordo com a Reuters, uma fonte israelense disse que Israel não tinha conhecimento de que o presidente dos Estados Unidos estivesse potencialmente perto de um acordo para encerrar a guerra e que, em vez disso, Israel estava se preparando para uma escalada dos combates. Fontes: Broadcast Agro e Wall Street Journal. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.