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06/May/2026

Brasil: PIB cresce acima da capacidade instalada

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o hiato do produto da economia brasileira permaneceu positivo em 3,4%, indicando que o nível de atividade segue acima da capacidade produtiva. O indicador reflete a diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial, sinalizando que a demanda agregada continua superior à capacidade de oferta da economia. O resultado está associado à baixa expansão do produto potencial, que representa o limite de produção sem geração de pressões inflacionárias. A evolução restrita desse indicador é atribuída ao ambiente de juros elevados e incertezas econômicas, fatores que desestimulam investimentos e restringem a ampliação da capacidade instalada, tanto em capital quanto em trabalho. O hiato positivo persiste desde o primeiro trimestre de 2023, configurando um período prolongado de sobreutilização dos fatores produtivos. Na série recente, o indicador evoluiu de 0,8% no primeiro trimestre de 2023 para 3,4% no quarto trimestre de 2025, com pico de 3,6% no segundo trimestre de 2025.

O movimento indica aceleração do PIB efetivo em ritmo superior ao crescimento do PIB potencial ao longo do período. Esse descompasso sugere pressões inflacionárias, uma vez que a demanda cresce acima da oferta disponível. A política monetária contracionista, apesar de limitar investimentos, não tem reduzido o consumo na mesma intensidade, mantendo o nível de atividade elevado. A sustentação da demanda está associada ao mercado de trabalho resiliente, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, o que mantém a renda e o consumo das famílias. Esse ambiente contribui para a continuidade do hiato positivo e reforça os riscos inflacionários. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantém o hiato do produto em território positivo como um dos principais fatores de risco de alta para a inflação. Entre os elementos destacados estão a possível desancoragem das expectativas inflacionárias, a resiliência da inflação de serviços e impactos adicionais decorrentes de fatores externos, como preços de energia e taxa de câmbio.

Os dados das Contas Nacionais Trimestrais indicam que o PIB brasileiro segue em trajetória de recordes, com crescimento de 0,1% no quarto trimestre de 2025 frente ao trimestre anterior. Pelo lado da demanda, o avanço foi impulsionado pelo consumo do governo, que atingiu novo pico, enquanto o consumo das famílias permaneceu próximo do máximo histórico, apenas 0,1% abaixo do observado no segundo trimestre de 2025. Por outro lado, a Formação Bruta de Capital Fixo, indicador de investimentos, permanece 12,6% abaixo do pico registrado no segundo trimestre de 2013, evidenciando a limitação estrutural na expansão da capacidade produtiva. Esse quadro reforça o desequilíbrio entre demanda e oferta e indica que a sustentação do crescimento econômico depende de retomada mais consistente dos investimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.