05/May/2026
Segundo a Siegen Consultoria, o volume de pedidos de recuperação judicial no Brasil deverá crescer 20% em 2026, com liderança recorrente das empresas da cadeia do agronegócio. Em 2025, foram registrados quase 2,5 mil pedidos, dos quais 30,1% tiveram origem no agro, conforme dados da Serasa analisados por consultoria especializada em reestruturação financeira e processos de recuperação judicial. A perspectiva para 2026 indica repetição desse padrão, com agravamento associado aos impactos geopolíticos sobre insumos agrícolas derivados de petróleo, como a ureia. O insumo é utilizado para estimular o crescimento das plantas, elevar a produção de proteínas e recuperar culturas com deficiência nutricional, sendo altamente sensível a oscilações de preços internacionais. Os efeitos mais relevantes desse encarecimento tendem a se concentrar no segundo semestre, período de plantio da safra de verão (1ª safra 2026/2027).
A 2ª safra de 2026 já se encontra implantada, com impacto limitado sobre receitas, uma vez que a maior parte da produção já foi comercializada previamente. Dessa forma, os efeitos sobre custos devem se intensificar no próximo ciclo produtivo. O ambiente cambial, por sua vez, apresenta efeitos mistos. Para o agronegócio, pode representar fator de pressão negativa, enquanto para a indústria contribui para reduzir custos de importação e favorecer maior equilíbrio nos preços das matérias-primas. Esse cenário resulta em compensações parciais frente à elevação dos combustíveis, mas mantém elevado o grau de incerteza para empresários dos setores agropecuário e de serviços, exigindo maior cautela na tomada de decisões. Diante desse contexto, a orientação predominante é pela adoção de estratégias graduais de curto prazo, permitindo maior capacidade de adaptação às mudanças de cenário antes de avanços mais relevantes em investimentos ou expansão.
O ambiente de incerteza também impacta diretamente o ritmo de investimentos, com tendência de postergação de projetos em função da insegurança interna. No mercado financeiro, o fluxo de capital estrangeiro tem exercido influência relevante sobre o câmbio, com ingresso superior a US$ 40 bilhões na bolsa de valores entre janeiro e abril de 2026. Esse movimento corresponde a 67% dos ganhos registrados ao longo de todo o ano de 2025. No campo macroeconômico, a expectativa de flexibilização monetária permanece, porém em ritmo mais lento do que o projetado anteriormente. A trajetória da taxa Selic, que já indicava queda a partir de 2026, segue em desaceleração menos intensa, influenciada pelo cenário internacional. Esse ajuste impacta diretamente o custo do crédito e reduz o estímulo ao investimento.
A elevação dos combustíveis tem reflexo imediato sobre o custo do frete, com transmissão direta para a indústria e cadeias logísticas. Em resposta a esse cenário, medidas como a isenção de impostos federais sobre o diesel e o uso de receitas adicionais provenientes da exportação de petróleo surgem como instrumentos para mitigar a pressão inflacionária. Apesar dos desafios, a expectativa da Siegen para o crescimento econômico brasileiro em 2026 permanece acima das projeções mais conservadoras. A estimativa indica expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2,30% e 2,50%, acima da projeção de 1,85% projetada pelo Boletim Focus, sustentada por medidas do governo federal de mitigação dos impactos externos e ajustes internos na economia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.