05/May/2026
Segundo a Câmara Sueca-Brasileira (Swedcham), a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia reforça a perspectiva de ampliação das relações comerciais e de investimentos entre os blocos, em um contexto de 200 anos de relações comerciais entre Brasil e Suécia. O movimento amplia oportunidades de inserção internacional, com expectativa de maior integração econômica no médio e longo prazo. Levantamento com empresas suecas indica que o Brasil permanece como destino estratégico, com 73% das companhias registrando lucro em 2025 e 72% projetando expansão das operações em 2026.
Além disso, 46% das empresas indicam intenção de ampliar investimentos nos próximos 12 meses, sinalizando continuidade do interesse no mercado brasileiro. O ambiente de negócios, no entanto, ainda é avaliado com cautela. Do total de empresas consultadas, 64% classificam o cenário como intermediário, enquanto 22% apresentam visão otimista e 14% apontam avaliação negativa. Entre os principais fatores de risco estão a taxa Selic elevada, a volatilidade cambial, pressões inflacionárias e incertezas no ambiente político. Do ponto de vista estrutural, a tributação corporativa segue como principal entrave, sendo o único indicador com avaliação inferior a 5 em escala de 1 a 9.
Burocracia, regulação e limitações de infraestrutura também permanecem como obstáculos relevantes. Em contrapartida, houve melhora na percepção sobre barreiras alfandegárias, com redução do porcentual de empresas que relatam impactos negativos de 54% em 2024 para 39%. Mesmo antes da aplicação provisória do acordo comercial, 63% das empresas já indicavam expectativa de ampliar o abastecimento a partir da Europa, enquanto 49% identificavam potencial de crescimento das exportações brasileiras para o bloco europeu. O dado sinaliza antecipação de ajustes estratégicos e reposicionamento comercial ainda em 2026.
A pesquisa abrangeu 60 empresas suecas com atuação no Brasil, entre 30 de janeiro e 6 de março de 2026, em amostra composta majoritariamente por operações consolidadas, com 53% presentes no País há mais de 20 anos e 71% com mais de 1.000 funcionários globalmente. A distribuição setorial inclui 48% da indústria, 30% de serviços empresariais e 10% nos segmentos de saúde e bens de consumo. O avanço do acordo Mercosul-União Europeia tende a ampliar o fluxo comercial e a integração produtiva, embora os ganhos efetivos dependam da superação de entraves estruturais e da evolução do ambiente macroeconômico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.