28/Apr/2026
A trajetória do Real frente ao dólar apresenta divergências entre analistas quanto ao potencial de valorização adicional nos próximos meses, apesar do suporte proporcionado pelos termos de troca favoráveis e pelo elevado diferencial de juros no curto prazo. A avaliação predominante indica que os impactos do cenário eleitoral tendem a ganhar maior relevância a partir do segundo semestre, com possibilidade de aumento da volatilidade cambial. Parte das projeções considera a possibilidade de nova rodada de apreciação da moeda brasileira, condicionada ao ambiente político, enquanto outra parcela aponta risco de depreciação diante das incertezas típicas do período eleitoral.
No ambiente externo, a manutenção de preços elevados de energia, mesmo em cenário de eventual acomodação do conflito no Oriente Médio, tende a favorecer moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil. A persistência de disrupções logísticas e produtivas no setor energético sustenta prêmios de risco mais elevados, influenciando o fluxo de capitais. Por outro lado, a perspectiva de continuidade do ciclo de redução da taxa Selic tende a reduzir gradualmente a atratividade do diferencial de juros, limitando o ingresso de capital via operações de carry trade e, consequentemente, o espaço para apreciação mais intensa do Real.
A taxa de câmbio também é influenciada pela percepção de risco e pela posição do Brasil no cenário global, com destaque para a atratividade relativa em um ambiente internacional marcado por incertezas geopolíticas. A combinação entre fatores externos, política monetária doméstica e evolução do quadro político interno deve determinar a dinâmica do câmbio ao longo dos próximos meses. O cenário indica tendência de valorização mais moderada da moeda brasileira no curto prazo, com aumento da sensibilidade a fatores políticos e redução do espaço para movimentos expressivos adicionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.