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27/Apr/2026

Países discutem o fim dos combustíveis fósseis

Após 195 países, na COP30 (a conferência da ONU sobre mudanças climáticas), não conseguirem chegar a um consenso sobre o fim do uso dos combustíveis fósseis, representantes de cerca de 50 nações voltaram a discutir o assunto entre os dias 24 e 29 de abril na Colômbia. Na Conferência de Santa Marta, organizada pelo governo colombiano com o apoio da Holanda, os países participantes debaterão formas de abandonar os combustíveis que aquecem o planeta. O evento, porém, não é um espaço de negociação entre nações, como é a COP, e não contará com os maiores emissores de gases poluentes: Estados Unidos e China. A conferência surge na esteira da COP30, realizada em novembro em Belém (PA). Na capital paraense, cerca de 80 países defenderam a criação de um roteiro definindo o que o mundo precisa fazer para abandonar combustíveis como petróleo e carvão.

O bloco de países árabes, intransigente em relação ao tema, não permitiu que ele aparecesse no documento final da conferência, apesar de o mundo ter concordado, na COP de 2023, ser preciso fazer a “transição para longe dos combustíveis fósseis”. Na presidência da COP desde novembro, o Brasil chega à Colômbia sem ter feito a lição de casa. Em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um prazo de 60 dias para que a Casa Civil e os ministérios da Fazenda, de Minas e Energia e do Meio Ambiente apresentassem uma proposta com as diretrizes para que o País reduzisse gradativamente sua dependência de combustíveis fósseis. Desavenças entre as Pastas têm travado a discussão em torno do documento, atrasado há 75 dias.

A Casa Civil afirmou que a elaboração da proposta segue em curso. Os trabalhos estão em fase de finalização, contemplando refinamentos e ajustes. O Ministério do Meio Ambiente também disse que o documento está sendo finalizado e que, assim que concluído, será submetido às instâncias competentes. Após esses ajustes entre os ministérios envolvidos, a avaliação será levada ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Para a WWF-Brasil, seria importante que o País estivesse com esse documento pronto antes do evento na Colômbia. O Brasil poderia mostrar sua liderança na conferência, até porque já está em um processo de transição energética há muitas décadas. É uma desvantagem não ter avançado na elaboração da proposta. A sociedade civil não foi chamada pelo governo para debater o assunto.

O Observatório do Clima afirma que o atraso no documento não enfraquece o posicionamento do Brasil em Santa Marta. Seria melhor chegar com as diretrizes prontas, pois o País se colocaria ainda mais como protagonista. Mas o governo vai dizer que está disposto a fazer a transição. A demora para se ter a proposta pronta reflete as contradições do governo Lula na agenda climática. Uma das principais discrepâncias internas do governo é em relação à exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. Enquanto o próprio presidente Lula e o Ministério de Minas e Energia (MME) apoiaram o início das pesquisas na área, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi mais cautelosa. Em relação à conferência, o evento indicará que está ficando mais robusta a intenção de parte dos países do mundo abandonar os combustíveis fósseis.

Era esperada a ausência dos Estados Unidos, dado que o país vem se opondo ao multilateralismo. Há o desafio, a partir de agora, de trazer outras nações com emissões importantes para a conversa. A WWF-Brasil acrescenta que Santa Marta é uma tentativa de apresentar soluções para o problema climático em um cenário em que há dificuldades para negociações internacionais. A conferência vai reunir países já preocupados com a questão temática. Ela faz parte de um processo para definir ações para a transição energética, e não para se negociar um acordo em escala mundial. Nas COPs, há uma dificuldade nas negociações, pois cada país parte de uma necessidade diferente. A Conferência de Santa Marta, portanto, pode impulsionar uma transição energética que não seja acordada de forma uniforme entre todos os atores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.