24/Apr/2026
O cenário climático global entra em nova fase com o enfraquecimento do La Niña e aumento da probabilidade de ocorrência do El Niño ao longo de 2026. A mudança indica transição para um ambiente de maior volatilidade climática, com impactos distribuídos de forma desigual entre regiões produtoras. A avaliação indica uma “rotação de risco” no mercado agrícola global, com alternância de áreas sob maior ou menor pressão produtiva, sem necessariamente implicar perdas generalizadas de volume. A projeção aponta fase neutra entre março e junho, com intensificação do El Niño a partir do meio do ano, atingindo probabilidade acima de 60% no inverno e superior a 80% entre agosto e dezembro de 2026. O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, com alteração nos padrões de chuva e temperatura, o que impacta diretamente a produção agrícola global.
No Brasil, a 2ª safra de 2026 depende da distribuição de umidade ao longo do ciclo. A Região Centro-Oeste apresenta condições mais favoráveis no momento, enquanto áreas de Mato Grosso do Sul, Bahia e parte do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) enfrentam irregularidades climáticas. O cenário atual é de risco localizado, com possibilidade de perdas pontuais, sem indicação de quebra de safra nacional. Para o ciclo 2026/27, a instabilidade tende a se intensificar. Na Região Sul do País, o El Niño aumenta o risco de excesso de chuvas, doenças e dificuldades operacionais. No Centro, o risco está associado à irregularidade das chuvas e variações de temperatura. Nas Regiões Norte e no Nordeste, predomina a preocupação com estresse hídrico.
Na Argentina, o fenômeno tende a reduzir o risco de seca, favorecendo culturas como soja e milho, embora aumente a probabilidade de excesso de chuvas, com possível impacto sobre a qualidade dos grãos e o ritmo de colheita. Nos Estados Unidos, historicamente, anos de El Niño de intensidade moderada costumam apresentar condições mais favoráveis à produção agrícola. Os principais riscos associados ao novo cenário climático envolvem produtividade, qualidade, janelas operacionais e logística. A gestão agronômica e o planejamento das operações de campo passam a ser fatores determinantes para mitigação dos impactos e adaptação às condições climáticas mais instáveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.