24/Apr/2026
O Banco do Brasil avalia que os principais desafios enfrentados em 2025 estão concentrados na carteira do agronegócio, em um contexto de deterioração dos indicadores de crédito. A instituição projeta recuperação gradual da qualidade da carteira, ainda sujeita a oscilações ao longo do processo. A inadimplência no segmento agro atingiu 6,09% em 2025, considerando operações com atraso superior a 90 dias, refletindo um ambiente de pressão marcado por juros elevados, volatilidade das commodities e impactos climáticos adversos. O cenário recente também foi influenciado por fatores externos, como desdobramentos geopolíticos e elevação do custo de capital. Para mitigar os efeitos sobre a carteira rural, o banco implementa um programa de renegociação de dívidas, apoiado parcialmente por recursos da Medida Provisória 1.314.
Até fevereiro, foram renegociados R$ 35,5 bilhões, sendo R$ 32,2 bilhões em operações com recursos livres e R$ 3,3 bilhões em linhas com fontes supervisionadas. A recuperação da carteira é projetada com comportamento irregular, com alternância entre períodos de melhora e deterioração, refletindo a complexidade do ambiente econômico e produtivo. Ainda assim, a instituição mantém expectativa de geração de resultados sustentáveis no médio e longo prazos. O desempenho da carteira de crédito, incluindo o segmento do agronegócio, deverá ser detalhado na divulgação dos resultados do primeiro trimestre, prevista para 14 de maio. O Banco do Brasil intensificou ajustes na política de concessão de crédito ao agronegócio após a deterioração da qualidade da carteira observada desde meados de 2025, com a adoção de uma nova matriz de risco e reforço nas exigências de garantias.
As operações mais recentes já apresentam melhora nos indicadores de inadimplência, embora o efeito ainda seja limitado no curto prazo. As operações com vencimento em abril que incorporam o novo modelo de avaliação de risco indicam desempenho superior em termos de inadimplência. No entanto, cerca de 80% da carteira ainda é composta por contratos firmados antes das mudanças implementadas a partir de julho de 2025, o que mantém a pressão sobre os indicadores agregados. A revisão na política de crédito incluiu maior rigor na estrutura de garantias, com destaque para a ampliação da exigência de alienação fiduciária nas novas operações. Parte relevante da carteira atual ainda não reflete essas mudanças, o que explica a continuidade de níveis mais elevados de inadimplência no período recente.
No âmbito da reestruturação financeira do setor, o programa de renegociação de dívidas alcançou R$ 36,5 bilhões, evidenciando a magnitude do ajuste em curso. A estratégia busca recompor a capacidade de pagamento dos produtores e estabilizar a qualidade da carteira ao longo do tempo. A carteira de crédito do agronegócio do banco encerrou 2025 com saldo de R$ 406 bilhões. Para 2026, a projeção varia de retração de 2% até crescimento, indicando postura mais cautelosa na expansão do crédito, com foco em operações mais estruturadas e mitigação de riscos. O fluxo de vencimentos mais equilibrado também contribui para a estabilização gradual da carteira, embora a normalização dos indicadores dependa da maior participação das novas operações no estoque total e da evolução das condições econômicas do setor.
Para o Banco do Brasil, as recuperações judiciais podem ser "instrumentos danosos" se não utilizados de maneira adequada pelo produtor rural. As RJs limitam a capacidade de financiamento dos produtores. Nos últimos meses, já houve redução no volume de novos ingressos na recuperação judicial, ao mesmo tempo em que alguns produtores já procuram o banco para apoiar na desistência do instrumento. Ainda, a guerra no Irã pode ter impacto no agronegócio, mas ainda há muitas incertezas. A guerra não deve ter efeito imediato no custo de produção dos clientes do agronegócio, que já compraram a maior parte dos insumos para a safra atual. Mas, pode haver efeito para a próxima safra. O BB tem trabalhado com produtores rurais para minimizar eventuais impactos. O banco também monitora o comportamento do fenômeno climático El Niño. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.