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23/Apr/2026

Dólar estável com foco na guerra no Oriente Médio

O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (22/04) praticamente estável frente ao Real, com variação negativa de apenas 0,01%, cotado a R$ 4,97, após recuperar força na reta final do pregão, em um ambiente de maior aversão ao risco no exterior. O movimento ocorreu mesmo diante da valorização global da moeda norte-americana e da queda acentuada do Ibovespa, com o suporte ao Real vindo da alta do petróleo, cujo barril do tipo Brent superou US$ 100,00. A valorização da commodity melhora os termos de troca do Brasil e contribui para reduzir o espaço para cortes na taxa Selic, sustentando o diferencial de juros em relação ao exterior.

Esse cenário mantém a atratividade das operações de carry trade, elevando o custo de posições contrárias à moeda brasileira. No cenário internacional, persistem incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. O tráfego no Estreito de Ormuz segue comprometido, impactando o escoamento de cerca de 20% da produção global de petróleo. Medidas envolvendo restrições a navios e portos iranianos, além de episódios de apreensão de embarcações, mantêm a volatilidade nos mercados. A indefinição quanto a um eventual cessar-fogo também reforça o ambiente de risco, com divergências nas sinalizações entre Estados Unidos e Irã.

Apesar desse contexto, o Real apresenta desempenho positivo, sustentado por fundamentos domésticos. O Brasil se beneficia da condição de exportador líquido de petróleo, além de possuir matriz energética diversificada e elevada taxa de juros Real, fatores que reforçam a atratividade para investidores estrangeiros. Em abril, o dólar acumula desvalorização de 3,95%, após alta de 0,87% em março, atingindo o menor nível de fechamento em pouco mais de dois anos. No acumulado de 2026, a moeda norte-americana recua 9,38% frente ao Real, que se destaca entre as divisas mais líquidas, incluindo moedas de economias emergentes e desenvolvidas. Outras moedas ligadas ao petróleo, como o peso colombiano, também apresentam valorização no período.

No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operou em alta, atingindo 98,643 pontos, influenciado pela perda de força do euro. A percepção de investidores internacionais segue favorável aos mercados emergentes, com destaque para o Brasil como destino de investimentos em juros e câmbio. A combinação de exportação de petróleo, disponibilidade de energia limpa, estabilidade geopolítica relativa e diferencial de juros contribui para sustentar o fluxo de capital. Nesse contexto, a valorização do Real tende a ser favorecida, ainda que as curvas de juros de curto prazo permaneçam pressionadas diante do espaço limitado para flexibilização da política monetária. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.