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23/Apr/2026

Clima: calor ameaça produção agropecuária global

De acordo com o novo relatório "Calor extremo e agricultura" publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), eventos de calor extremo ameaçam atualmente o sustento e a saúde de cerca de 1 bilhão de pessoas e provocam a perda de 500 bilhões de horas de trabalho anualmente, com perspectivas de danos crescentes para rebanhos e rendimento das lavouras no futuro. Agricultores e sistemas agroalimentares estão na linha de frente, absorvendo os maiores efeitos da elevação das temperaturas e da frequência de ondas de calor nesta temporada. O calor extremo atua como um multiplicador de riscos, exercendo pressão sobre as culturas, pecuária, pescas e florestas, bem como sobre as comunidades e economias que delas dependem.

O fenômeno define as condições de operação dos sistemas agroalimentares, atuando como um fator de risco composto que amplia fragilidades já existentes. O relatório detalha que, para a maioria das principais culturas agrícolas, as quedas de rendimento começam a ocorrer acima de 30°C (limite que é ainda menor para batatas e cevada) resultando em paredes celulares enfraquecidas, pólen estéril e produção de compostos oxidativos tóxicos. Na pecuária, o estresse térmico em espécies comuns começa acima de 25°C, sendo um nível inferior para frangos e suínos, que possuem dificuldade de resfriamento por suor. Além de perdas em casos extremos, o calor excessivo reduz a produção de leite e o teor de gordura e proteína, o que agrava a pegada de carbono dos alimentos de origem animal. No Brasil, entre o fim de 2023 e 2024, as temperaturas médias de até 7°C acima do normal por períodos prolongados fizeram com que a produtividade da soja recuasse até 20%.

O perigo total do calor extremo reside também no desencadeamento de secas repentinas, que esgotam a umidade do solo superficial e da zona radicular, como observado recentemente na China, Austrália, Estados Unidos e Rússia. Estas secas deixam efeitos duradouros, como solos endurecidos com menor capacidade de absorção de água e maior vulnerabilidade à erosão. Em termos humanos, o número de dias anuais em que o calor impede o trabalho pode subir para 250 em partes do sul da Ásia, África Subsaariana e regiões das Américas Central e do Sul. Para enfrentar essa realidade, as agências recomendam o uso de sistemas de alerta precoce, inovação em melhoramento genético seletivo para variedades mais resistentes e o acesso a serviços financeiros e proteção social para mitigar as perdas econômicas das famílias rurais nesta fase. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.