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23/Apr/2026

Clima: El Niño ganha força no 2º semestre de 2026

Segundo a Biond Agro, a probabilidade maior de ocorrência de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 deve redistribuir o risco climático à agricultura global, com efeitos desiguais entre regiões produtoras e maior atenção para a safra 2026/27 no Brasil. O mercado entra em uma fase em que os impactos deixam de ficar concentrados em uma única origem e passam a mudar ao longo do calendário. O mercado entra em uma fase em que o risco climático deixa de permanecer concentrado no mesmo lugar e passa a mudar de endereço ao longo do calendário. Desde março até junho predomina uma fase neutra, sem atuação de La Niña nem de El Niño. A partir do meio do ano, porém, o El Niño ganha força, com probabilidade acima de 60% no inverno e superior a 80% entre agosto e dezembro de 2026. Essa transição muda a forma como o clima afeta a produção agrícola. O que se forma é uma rotação do risco. Algumas origens podem recuperar produtividade, outras podem ganhar volatilidade sem necessariamente perder volume.

No Brasil, os efeitos não devem ser homogêneos. No curto prazo, a segunda safra de milho ainda depende mais da distribuição das chuvas do que da atuação direta do El Niño. A Região Centro-Oeste aparece em condição relativamente melhor, com maior disponibilidade de umidade, enquanto Mato Grosso do Sul, Bahia e parte do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) enfrentam mais irregularidade. O principal risco neste momento não é uma quebra nacional de safra, mas perdas pontuais provocadas por essa instabilidade. Para a safra 2026/27, porém, o quadro é mais sensível. Um El Niño mais organizado tende a elevar a instabilidade climática ao longo do desenvolvimento da próxima safra. Na Região Sul, isso aumenta o risco de excesso hídrico, doenças, perda de qualidade e dificuldade operacional. No centro do País, o problema deixa de ser só volume e passa a ser retomada irregular das chuvas, maior oscilação térmica e dificuldade de manter padrão produtivo uniforme. Na Região Norte e em parte da Região Nordeste, o risco de estresse hídrico volta a ganhar peso.

Nos Estados Unidos, o início do plantio ainda limita antecipações mais fortes sobre problemas climáticos e que, em anos de El Niño não extremo, o histórico costuma apontar condições mais favoráveis à produção. Na Argentina, por outro lado, a mudança tende a reduzir o risco de seca, mas aumenta a atenção para excesso de chuva, com impacto potencial não só sobre o volume, mas também sobre a qualidade dos grãos e o ritmo da colheita. Um El Niño mais definido pode ajudar na recuperação de áreas prejudicadas pela seca nos últimos anos, como a Região Sul do Brasil, mas também traz novos desafios, especialmente para o Centro-Oeste. Os quatro principais riscos são: produtividade, qualidade, janela operacional e logística. 2026 tende a exigir maior atenção ao clima e mais capacidade de adaptação, com maior peso para decisões de manejo, planejamento de safra e execução das operações no campo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.