23/Apr/2026
O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, disse nesta quarta-feira (22/04) que o país está pronto para voltar a negociar com os Estados Unidos assim que o bloqueio dos portos iranianos seja encerrado. Iravani disse que o Irã recebeu "algum sinal" de que os norte-americanos estão prontos para encerrar o bloqueio, que descreveu como uma violação do cessar-fogo. Segundo o embaixador, uma nova rodada de conversas será realizada em Islamabad, no Paquistão, após a liberação dos portos. A extensão do cessar-fogo com Israel anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durará apenas de três a cinco dias, confirmou o governo norte-americano nesta quarta-feira (22/04).
Os Estados Unidos estão dando mais tempo ao Irã para apresentar uma "proposta unificada", sob a qual as conversas de paz poderiam ser retomadas no Paquistão. Se o cessar-fogo terminar sem um acordo, Trump prometeu eliminar a infraestrutura de energia e transporte do Irã. Segundo a Tasnim, o Irã não tem, por enquanto, intenção de negociar com os Estados Unidos no Paquistão nesta sexta-feira (24/04) e o presidente norte-americano, Donald Trump, está mentindo sobre a possibilidade de uma nova rodada de diálogo com o país persa no fim da semana. A informação da agência iraniana acontece após Trump afirmar ao New York Post "boas notícias" poderiam surgir sobre um acordo com o Irã, depois de conversas frustradas na terça-feira (21/04) na capital paquistanesa de Islamabad. Na esteira de incertezas, a Tasnim classificou o Estreito de Ormuz como uma "artéria vital" dos cabos de internet dos países do Golfo Pérsico.
Segundo dados de redes submarinas, pelo menos sete cabos principais de comunicação dos países do Golfo Pérsico passam por essa rota, enquanto mais de 97% do tráfego mundial de internet é transportado justamente por esses cabos de fibra óptica no leito do mar. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse nesta quarta-feira (22/04) que a quebra de compromissos, o cerco e ameaças representam os principais obstáculos à negociação com os Estados Unidos. "A República Islâmica do Irã sempre acolheu e acolhe o diálogo e o acordo. A quebra de compromissos, o cerco e as ameaças são o principal obstáculo à negociação real", disse o dirigente iraniano em rede social. "O mundo é testemunha da retórica hipócrita e da contradição entre as suas alegações e os seus atos", registrou Pezeshkian na publicação, em uma observação indireta à postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ainda, pelo menos três navios porta-contêineres foram atingidos por disparos no Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (22/04), segundo fontes de segurança marítima e a agência do Reino Unido para Operações de Comércio Marítimo (UKMTO). O Irã impôs restrições a navios que utilizam o Estreito, primeiro como retaliação ao bombardeio do país por Estados Unidos e Israel e, depois, em resposta a um bloqueio do governo norte-americano aos portos iranianos. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) informou nesta quarta-feira a apreensão de duas embarcações no Estreito de Ormuz, em meio à escalada de tensões na região e a relatos de novos ataques contra navios comerciais.
A Marinha do Irã afirmou nesta quarta-feira (22/04) que os navios "MSC Francesca", que segundo o Irã tem ligação com Israel, mas navega sob bandeira do Panamá, e "Epaminondas", de bandeira da Libéria, foram interceptados e conduzidos para águas territoriais iranianas. Segundo o grupo paramilitar, as embarcações operavam "sem a autorização necessária" e teriam manipulado seus sistemas de navegação, "colocando em risco a segurança marítima". "As cargas, documentos e demais registros serão verificados", disse a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), acrescentando que "interferir na ordem e na segurança do Estreito de Ormuz é nossa linha vermelha". Na mesma data a UKMTO informou ter recebido relato de um incidente a cerca de 15 quilômetros a oeste do Irã.
De acordo com o órgão, o capitão de um navio cargueiro que deixava águas internacionais relatou ter sido alvo de disparos e, em seguida, parado na água. A tripulação está segura e não houve danos à embarcação. A UKMTO já havia relatado outro ataque a 15 milhas náuticas (27,7 Km) a nordeste de Omã. Segundo o comandante de um navio porta-contêineres, a embarcação foi abordada por uma lancha armada da IRGC, sem contato prévio por rádio, e sofreu "danos severos" na ponte de comando após ser alvejada. Não houve incêndio nem impacto ambiental, e todos os tripulantes estão em segurança. Fontes: The Wall Street Journal e Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.