22/Apr/2026
O Bradesco BBI firmou a segunda operação da linha EcoInvest, do Tesouro Nacional, para recuperação de pastagens degradadas. O banco vai financiar R$ 100 milhões para a GCS Agropecuária, grupo da família Tiecher, com sede em Jaborandi (BA), por meio de uma emissão de Cédula do Produtor Rural -Financeira (CPR-F). Com os recursos, a empresa irá implantar o sistema de integração lavoura-pecuária (ILP) em 4,5 mil hectares, após a conversão da área degradada. A operação reforça a consolidação de um novo eixo de financiamento no agronegócio brasileiro, baseado na combinação entre produtividade e critérios ambientais. O movimento evidencia a crescente participação do sistema financeiro privado na viabilização de projetos alinhados à agenda de descarbonização e uso eficiente do solo. A destinação dos recursos para recuperação de 4,5 mil hectares na Bahia ilustra a lógica central do programa: transformar áreas de baixa produtividade em ativos agrícolas intensivos, sem necessidade de expansão sobre novas fronteiras. Esse modelo está inserido em uma estratégia mais ampla, que identifica cerca de 40 milhões de hectares de pastagens com potencial de conversão no País, ampliando a produção sem pressão adicional sobre biomas sensíveis. O EcoInvest opera como instrumento de alavancagem de capital, utilizando recursos públicos com custo reduzido para atrair financiamento privado e internacional.
No leilão mais recente, o programa mobilizou R$ 16,5 bilhões em capital catalítico, com potencial de atingir aproximadamente R$ 30,2 bilhões em investimentos totais até 2027, destinados à recuperação de cerca de 1,4 milhão de hectares. A exigência de alavancagem mínima pelos bancos amplia o efeito multiplicador dos recursos e reforça o papel das instituições financeiras como estruturadoras de projetos de longo prazo. Nesse contexto, a operação conduzida pelo Bradesco BBI indica avanço na internalização de instrumentos como a CPR-F em estruturas financeiras voltadas à sustentabilidade, permitindo maior previsibilidade de fluxo de caixa e adequação ao perfil de investimentos agrícolas. A tendência é de ampliação desse tipo de estrutura, especialmente em projetos que envolvem integração produtiva e ganhos ambientais mensuráveis. Do ponto de vista produtivo, a adoção de sistemas integrados, como ILP, promove aumento de produtividade por hectare, diversificação de receitas e melhoria da qualidade do solo.
Esses sistemas também contribuem para a redução da intensidade de emissões por unidade produzida, elemento central na estratégia de posicionamento do Brasil em mercados internacionais cada vez mais sensíveis a critérios ESG. No cenário global, a expansão desse modelo atende simultaneamente a três vetores estratégicos: segurança alimentar, transição energética e financiamento climático. A capacidade de converter áreas degradadas em sistemas produtivos sustentáveis posiciona o Brasil como potencial fornecedor de alimentos e energia com menor pegada ambiental, ao mesmo tempo em que atrai capital internacional direcionado a projetos verdes. Como perspectiva, a continuidade das operações via EcoInvest tende a ampliar a escala da recuperação de pastagens, reduzir o custo de capital para projetos sustentáveis e consolidar um novo padrão de financiamento no agronegócio. O desafio permanece na padronização de métricas ambientais, na mensuração de impactos e na garantia de retorno econômico consistente ao longo do ciclo produtivo. Fonte: Valor Online. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.