20/Apr/2026
O valor desembolsado no Plano Safra 2025/26, iniciado em 1º de julho, alcançou em março R$ 259,879 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores. O montante desembolsado nos primeiros nove meses do plano agrícola e pecuário corresponde a 64% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir CPRs. O valor ficou 9% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2024/25, de R$ 285,689 bilhões. Até o fim de março, foram realizados 1,825 milhão de contratos em todas as modalidades, 7,5% mais que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 1,697 milhão de contratos. Na safra atual, observa-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada. Produtores estão retraídos na demanda por novos financiamentos dada a conjuntura adversa do setor e dos juros elevados e agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito, em virtude do elevado nível de endividamento do setor agropecuário.
Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 403,981 bilhões liberados nos primeiros nove meses da safra para agricultura empresarial, até março, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas, CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Considerando os R$ 183,137 bilhões liberados via CPRs de julho a março, há aumento de 10% no desembolso da safra na agricultura empresarial (médios e demais produtores) ante o ciclo anterior. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a retração no crédito concedido na safra é explicada pela maior dificuldade de acesso a crédito pelo produtor rural com exigência crescente de garantias e pelo endividamento recorde registrado no setor.
Em cenário de margens apertadas, há demanda do produtor por crédito, mas os bancos estão com maiores restrições, pedidos de maiores garantias e oferta de limites menores aos produtores, diante da maior inadimplência do setor e mudanças regulatórias no provisionamento de ativos problemáticos. Há ainda aumento de "burocracias" para a contratação do crédito rural, o que dificulta a concessão pelos agentes financeiros, como o uso de dados do Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) como condicionante para concessão de crédito rural em vigor desde 1º de abril. A CNA estima que, faltando três meses para o fim da safra, cerca de 80% dos recursos ofertados já deveriam estar liberados, com base na média histórica do período. No ciclo atual, não teve falta de recursos, mas diante do cenário mais restritivo e da expectativa dos produtores de queda na taxa de juros no próximo ciclo, pode haver um menor desempenho em recursos liberados em comparação com a temporada passada.
Há apetite por crédito, mas as dificuldades no ambiente de negócios estão fazendo com que o crédito não chegue ao produtor. Há relatos de produtores sobre entraves para contratação de custeio para a safra de inverno. Neste cenário, cresce o uso dos produtores rurais por fontes privadas de financiamentos, como as CPRs. Esse movimento explica o crescimento de 38% no acumulado da safra de CPRs contratadas na agricultura empresarial. Com maior endurecimento do crédito bancário, o produtor encontra nas CPRs alternativa ao crédito tradicional. Os financiamentos para custeio somaram R$ 140,069 bilhões em desembolso de julho a março, 12% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 587.533 contratos. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 65,807 bilhões no período, 17% menos que na temporada passada, em 1,227 milhão de contratos. As operações de comercialização atingiram R$ 25,855 bilhões (queda de 15%), em 8.576 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 28,148 bilhões (alta de 61%), em 1.517 contratos, em nove meses da safra.
No período, 1,535 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 52,341 bilhões ao fim de março, alta de 4% ante o ano-safra anterior. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 158.816 operações, totalizando R$ 49,015 bilhões nos nove meses do ano-safra, alta de 1,8% em um ano. Outros 130.662 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 158,522 bilhões em financiamentos de julho a março na safra 2025/26, retração de 15% em relação a igual período do ano passado. A Região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados nos nove meses da safra, com 949.770 operações, com R$ 25,806 bilhões financiados. Na sequência, consta a Região Sul, com 410.283 contratos, e maior valor contratado, de R$ 84,569 bilhões. A Região Sudeste registrou 286.578 operações de crédito rural de julho a março, somando o total de R$ 70,584 bilhões. Na Região Norte, foram firmados 91.458 contratos, alcançando a liberação de R$ 18,161 bilhões. Na Região Centro-Oeste, foram reportadas 86.699 operações, somando R$ 60,759 bilhões.
O valor médio por contrato na base nacional foi de R$ 142,416 mil ao fim dos nove meses do ano-safra atual, queda de 15,4% ante igual período da temporada passada. Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 85,115 bilhões foram provenientes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) a taxas livres e controladas. As LCAs continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26. Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 60,858 bilhões. Outros R$ 58,368 bilhões de julho a março deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres. No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores. Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. No total, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.