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20/Apr/2026

Estreito de Ormuz: incertezas sobre a navegação

O cessar-fogo anunciado pelo Irã reduziu parcialmente as tensões nos mercados, mas manteve incertezas relevantes sobre a travessia pelo Estreito de Ormuz, especialmente em relação à possibilidade de cobrança de pedágios. A sinalização de utilização de uma rota coordenada previamente anunciada indica potencial manutenção de custos adicionais para o transporte marítimo, preservando riscos logísticos na região. As tarifas de frete fora do Golfo do Oriente Médio apresentaram recuo nas últimas semanas, porém a tendência pode ser revertida diante da expectativa de aumento da demanda asiática para recomposição de estoques. Dados da Argus indicam que o frete de navios do tipo VLCC do Golfo do Oriente Médio para o leste asiático atingiu US$ 15,71 por barril, ante US$ 6,14 por barril antes do início do conflito, com possibilidade de novos avanços caso a passagem seja efetivamente normalizada. Mesmo com eventual retomada do fluxo, a normalização das operações tende a ocorrer de forma gradual.

O seguro marítimo pode levar alguns dias para retornar a níveis mais próximos da normalidade, enquanto a disponibilidade de cobertura adicional para risco de guerra não elimina a resistência de armadores em operar em uma área ainda considerada de elevado risco. A expectativa é de aumento no número de viagens a partir desta semana, caso a travessia se consolide, ainda que parte dos armadores deva evitar a rota nos primeiros dias após o cessar-fogo, limitando a velocidade de recuperação do fluxo logístico. No mercado de derivados, a oferta permanece disponível, mas enfrenta entraves operacionais. Estima-se que 3,2 milhões de barris de querosene de aviação (QAV) estejam posicionados no Golfo do Oriente Médio, embora as cargas ainda dependam de etapas logísticas, incluindo entrada no Estreito, carregamento e posterior deslocamento para a Europa, processo condicionado às mesmas restrições de segurança e seguro. O impacto sobre o mercado europeu tende a ser gradual, uma vez que as cargas de derivados podem levar entre cinco e seis semanas para chegar ao continente após a saída do Golfo, em linha com projeções de que a normalização completa dos fluxos pode demandar vários meses.

No segmento de gás natural, a reação foi imediata. Os preços na Europa recuaram significativamente após a indicação de que o Estreito de Ormuz estaria aberto para navios comerciais durante o período do cessar-fogo, levando o TTF (Title Transfer Facility) ao menor patamar desde o início do conflito no Oriente Médio. O movimento reflete a expectativa de retomada da circulação de cargas de Gás Natural Liquefeito (GNL) anteriormente retidas, além da possibilidade de reativação das exportações a partir da unidade de liquefação de Ras Laffan, no Catar, após a retirada abrupta de aproximadamente um quinto da oferta global de GNL durante a crise. Apesar da reação inicial, o mercado opera com cautela. Agentes monitoram a aproximação de embarcações de GNL ao Estreito de Ormuz, enquanto permanecem indefinidas as condições de seguro e os procedimentos necessários para a retomada regular da travessia.

A reabertura temporária do Estreito de Ormuz representa apenas uma etapa inicial de um processo mais amplo no conflito do Oriente Médio, com obstáculos relevantes ainda a serem superados e elevada incerteza quanto à estabilidade da região. O movimento atual reflete o início de uma nova fase, sem garantia de normalização no curto prazo. A liberação da passagem foi viabilizada por um cessar-fogo entre Israel e Líbano, considerado frágil e de caráter temporário. Permanecem focos de instabilidade na Faixa de Gaza, no Líbano e na Cisjordânia, mantendo o ambiente geopolítico volátil e com potencial de reversão do acordo. O alinhamento do Irã com seus aliados regionais também reforça o risco de novas tensões. No campo diplomático, há indicações de negociações envolvendo o descongelamento de aproximadamente US$ 20 bilhões em troca de concessões relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Ainda assim, persiste a avaliação de que o Irã dificilmente abrirá mão de ativos estratégicos, como suas capacidades balísticas e nucleares, o que mantém distantes as posições entre as partes. O cenário aponta para a possibilidade de novos desdobramentos e reviravoltas ao longo do processo, com impactos prolongados sobre os mercados de petróleo e derivados. A normalização das condições de oferta e preços tende a ser gradual, condicionada à evolução das negociações e à redução efetiva das tensões geopolíticas. As perspectivas indicam manutenção de elevada volatilidade nos mercados globais, com reflexos sobre crescimento econômico e inflação. Nesse ambiente, a condução da política monetária pode oscilar entre posturas mais restritivas e mais acomodatícias, em resposta aos choques recorrentes provenientes do setor de energia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.