20/Apr/2026
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a guerra no Oriente Médio deve provocar impacto desigual sobre a atividade econômica na América Latina e no Caribe, mas com efeito generalizado de alta da inflação em todos os países da região. Economias exportadoras de energia, como o Brasil, tendem a se beneficiar dos preços elevados de petróleo, com efeitos positivos sobre balanço de pagamentos, crescimento e contas públicas. Ainda assim, o aumento dos custos de energia e alimentos pressiona os índices inflacionários de forma disseminada, afetando especialmente as populações mais vulneráveis. As projeções do FMI indicam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da região de 2,3% em 2026, alta de 0,1% em relação à estimativa anterior, e de 2,7% em 2027.
Para o Brasil, a expectativa é de expansão de 1,9% em 2026, com revisão positiva de 0,3%, e de 2,0% em 2027. Apesar do choque externo, a inflação regional deve desacelerar para 6,7% em 2026, ante 7,6% em 2025, com projeção de recuo adicional para 4,9% em 2027. Ainda assim, o impacto inflacionário do conflito será amplo, independentemente das diferenças de crescimento entre os países. A região iniciou 2026 com fundamentos mais sólidos, incluindo crescimento próximo ao potencial e inflação em trajetória de convergência às metas. No entanto, o ambiente externo se deteriora com o aumento da aversão ao risco, mudanças nos fluxos de capital e elevação dos custos de financiamento.
Economias mais vulneráveis, como países do Caribe dependentes do turismo e importadores líquidos de energia, tendem a ser mais afetadas, devido à combinação de dívida elevada, restrições fiscais e maior exposição aos preços internacionais de energia. Diante do cenário, o FMI recomenda preservação da credibilidade das políticas monetária e fiscal, com uso cauteloso do espaço fiscal. A orientação é evitar subsídios amplos e priorizar medidas focalizadas para famílias vulneráveis, produtores rurais e empresas, diante das limitações impostas pelos níveis elevados de endividamento público. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.