20/Apr/2026
O Brasil se destaca como uma das economias emergentes mais bem posicionadas para enfrentar o choque energético decorrente do conflito no Oriente Médio, com base na dinâmica da balança comercial envolvendo petróleo e fertilizantes. A combinação entre superávit em energia e déficit em insumos agrícolas resulta em saldo líquido positivo, contribuindo para desempenho relativo superior da moeda brasileira frente a outros emergentes. Em 2025, o superávit brasileiro em petróleo e derivados atingiu US$ 32 bilhões, enquanto o déficit em fertilizantes foi de US$ 15 bilhões, resultando em saldo líquido positivo de US$ 16,4 bilhões, equivalente a 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB). Entre os países analisados, apenas a Colômbia apresentou resultado semelhante, com saldo positivo de US$ 7,1 bilhões (1,6% do PIB).
Em termos absolutos, o Brasil apresenta o maior saldo entre economias emergentes. Considerando economias com PIB superior a US$ 500 bilhões em 2025, como Brasil, México, Turquia, China, Indonésia, Índia e Coreia do Sul, o Brasil é o único com saldo líquido positivo nessas contas, o que reforça sua posição relativa mais favorável no início do choque. O estudo abrangeu 13 países, incluindo Colômbia, Brasil, México, Turquia, China, Peru, Malásia, Indonésia, Índia, Coreia do Sul, Chile, África do Sul e Filipinas. A evolução das taxas de câmbio entre os países analisados acompanha, em geral, a exposição ao choque externo via balança comercial. Economias com saldo mais favorável em energia e fertilizantes apresentaram melhor desempenho de suas moedas, enquanto importadores líquidos concentraram maior depreciação.
No período de 27 de fevereiro a 13 de abril, o peso colombiano se valorizou 4,6% frente ao dólar, enquanto o real avançou 2,5%. A análise histórica entre 2022 e 2025 mantém a tendência, com Brasil e Colômbia apresentando saldos líquidos positivos, enquanto os demais países registram resultados negativos. Nesse intervalo, o Brasil acumula saldo de US$ 11,7 bilhões (0,46% do PIB), enquanto a Colômbia registra US$ 9,2 bilhões (2,37% do PIB). Além da balança comercial, a posição externa do Brasil é reforçada por outros fatores macroeconômicos. Em 2025, o déficit em transações correntes foi de 3% do PIB, enquanto as reservas internacionais somaram US$ 358 bilhões, o equivalente a aproximadamente 15,7% do PIB, configurando um dos maiores volumes da amostra em termos absolutos.
O País também apresenta baixa exposição cambial da dívida pública federal, com cerca de 3,8% atrelada ao câmbio no fim de 2025, além de um colchão de liquidez do Tesouro de R$ 1,2 trilhão, equivalente a aproximadamente sete meses de vencimentos. Esse conjunto de fatores contribui para uma menor vulnerabilidade externa, uma vez que o choque comercial tende a reduzir, e não ampliar, o déficit em transações correntes. Nesse contexto, o real apresenta apreciação frente ao dólar, em contraste com o comportamento observado em outras economias emergentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.