17/Apr/2026
O cenário climático global está atravessando uma fase de transição significativa rumo à formação de El Niño no segundo semestre, conforme apontam os dados mais recentes divulgados pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos). Atualmente, o sistema oceano-atmosfera encontra-se em um estado de neutralidade em relação ao fenômeno ENSO (El Niño-Oscilação Sul), uma condição que deve prevalecer durante o trimestre de abril a junho de 2026 com uma probabilidade de 80%. Esse período de calmaria relativa é caracterizado por temperaturas da superfície do mar no Oceano Pacífico equatorial central e centro-leste que permanecem próximas à média histórica, sinalizando que os efeitos extremos de aquecimento ou resfriamento ainda não estão dominando o sistema.
Apesar da estabilidade momentânea, os indicadores subsuperficiais mostram que uma mudança profunda está em curso abaixo da superfície das águas. Pelo quinto mês consecutivo, o índice de temperatura subsuperficial na região equatorial registrou aumento, com anomalias de calor se estendendo por toda a bacia do Pacífico. Somado a isso, foram observadas anomalias de ventos de oeste em baixos níveis sobre o Pacífico equatorial ocidental, um fator crucial que frequentemente precede o desenvolvimento de um evento de aquecimento. Esses sinais sugerem que a neutralidade atual é apenas o prelúdio para o ressurgimento do El Niño. As projeções da agência norte-americana indicam que a probabilidade de o El Niño emergir entre os meses de maio e julho de 2026 é de 61%. Entre junho e agosto, as chances crescem para 80%. Uma vez estabelecido, a tendência é que o fenômeno persista até o final do ano.
Embora a transição pareça iminente, a intensidade do evento ainda é alvo de debate entre os especialistas. As previsões variam desde um El Niño de intensidade moderada até a possibilidade de um evento extremo durante o verão brasileiro. A confirmação de um El Niño de forte intensidade dependerá, fundamentalmente, da continuidade dos ventos de oeste ao longo da linha do equador durante os meses de verão do Hemisfério Norte. Caso esse padrão de ventos se mantenha, o acúmulo de águas quentes na superfície do Pacífico poderá alterar drasticamente os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo. Por enquanto, a comunidade científica permanece em vigilância, com a próxima atualização detalhada agendada para o dia 14 de maio de 2026, quando novos dados poderão refinar as chances de o mundo enfrentar um dos fenômenos climáticos mais importantes do planeta. Fonte: MilkPoint. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.