15/Apr/2026
Segundo a StoneX, a transição do fenômeno La Niña para El Niño em 2026 eleva a incerteza sobre o regime de chuvas no Brasil até junho, em um contexto de aquecimento gradual do Pacífico. As projeções indicam enfraquecimento do La Niña, com probabilidade de neutralidade de 60% entre março e maio e de 70% entre abril e junho, enquanto o fortalecimento do El Niño é esperado para a segunda metade do ano. O cenário de transição é caracterizado por elevada variabilidade climática, com destaque para o mês de julho, quando a possível combinação entre El Niño e o Dipolo Positivo do Índico pode intensificar padrões típicos da fase quente do ENOS.
Esse contexto amplia os riscos de eventos climáticos mais extremos e de difícil previsibilidade. Os meses recentes já evidenciam a heterogeneidade dos impactos. No Brasil, volumes elevados de chuva em janeiro e fevereiro afetaram regiões como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, com prejuízos operacionais, atraso na colheita e redução da eficiência no plantio da 2ª safra. Em áreas de relevo mais acidentado, como nas Matas de Minas (MG), o excesso hídrico também elevou riscos logísticos. Em contraste, regiões como Tocantins, noroeste de Mato Grosso e extremo sul do Pará registraram precipitações mais limitadas, evidenciando que o principal desafio climático está na distribuição espacial e temporal das chuvas, e não apenas no volume total acumulado.
Na América do Sul, o extremo sul do Brasil e regiões produtoras da Argentina enfrentaram estresse térmico e hídrico em março, com impactos negativos sobre o enchimento de grãos da soja. Esse comportamento reforça a irregularidade climática associada à fase de transição do ENOS. O pano de fundo climático global adiciona complexidade ao cenário. As temperaturas globais seguem em níveis historicamente elevados, indicando que eventos como La Niña não são suficientes para compensar o aquecimento de longo prazo. Mesmo em fases frias do ENOS, a tendência é de manutenção de temperaturas médias elevadas, ampliando os riscos para a produção agrícola. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.