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15/Apr/2026

EUDR já pressiona empresas a reforçarem controles

De acordo com dados do Forest 500 2026, relatório anual da organização britânica Global Canopy divulgado nesta terça-feira (14/04), o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) já alterou a forma como empresas de todo o mundo tratam rastreabilidade, monitoramento e divulgação de controles em cadeias globais de commodities, antes mesmo de entrar em vigor. Das 500 empresas avaliadas, 68, ou 14%, citaram a norma europeia em documentos públicos como motivação para agir contra o desmatamento. Dessas, 45 mencionaram o EUDR diretamente em ações de rastreabilidade. A Global Canopy é uma organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido que monitora a exposição de empresas ao desmatamento em cadeias como soja, carne bovina, café, cacau, couro, óleo de palma, borracha, madeira e papel e celulose.

Seu principal relatório, o Forest 500, avalia anualmente as 500 companhias com maior influência sobre o desmatamento global na produção e no comércio dessas commodities. Para a edição de 2026, foram analisadas mais de 270 mil informações públicas divulgadas pelas próprias empresas. O EUDR, com implementação prevista para o fim de 2026, exigirá que importadores e exportadores comprovem que os produtos vendidos ao mercado europeu são livres de desmatamento e foram produzidos em conformidade com a legislação do país de origem. O descumprimento pode gerar multa de pelo menos 4% do faturamento da empresa na União Europeia. A norma produz um efeito distinto de outras pressões de mercado porque as próprias empresas passaram a citá-la como razão para mudanças internas. O aumento de evidências públicas de mecanismos de rastreabilidade em oito das nove commodities foi uma das tendências mais significativas deste ano e aponta para a influência do EUDR.

O Forest 500 atribui a cada empresa uma pontuação que combina quatro critérios: compromissos, implementação, reporte e verificação. Os três últimos têm peso maior do que o primeiro. A metodologia dá mais valor à execução tornada pública do que ao simples anúncio de metas. Com base nesses critérios, o relatório divide as companhias em três grupos. Apenas 19, ou 4%, são classificadas como líderes, com compromissos robustos para todas as commodities a que estão expostas e implementação acima da média. Outras 313, ou 63%, compõem a faixa intermediária, com compromissos parciais e/ou execução fraca. Os retardatários somam 168, ou 33%, sem qualquer compromisso publicado para nenhuma das commodities avaliadas. Essa pontuação não mede conformidade com o EUDR nem percentual de volumes livres de desmatamento. Ela reflete exclusivamente os critérios do próprio Forest 500 para o conjunto das cadeias às quais cada empresa está exposta.

Entre as companhias com operação relevante no Brasil, a fabricante de celulose Suzano obteve 81% no ranking. A trading de grãos Amaggi registrou 70%. O frigorífico Marfrig alcançou 54%. A SLC Agrícola marcou 44%. O frigorífico JBS ficou em 32%. A processadora de soja Caramuru Alimentos registrou 30%. O exportador de café Grupo Montesanto Tavares aparece com 2% e a Sodrugestvo, controladora da Aliança Agrícola do Cerrado, com 1%. O relatório também registra recuo em 14 empresas globais. O caso mais citado pela entidade foi o da fabricante norte-americana de artigos esportivos Nike, que retirou celulose e papel de seus relatórios públicos de sustentabilidade, revertendo compromisso assumido em 2024 de proteger florestas prioritárias e utilizar embalagens com certificação do Forest Stewardship Council (FSC). Segundo o Forest 500, 24 companhias nunca publicaram qualquer compromisso antidesmatamento desde o início da avaliação, em 2014.

Na soja, uma das cadeias mais relevantes para o Brasil, o relatório aponta avanços pontuais convivendo com lacunas persistentes e cita três grupos com operação no País que, com base no EUDR, têm promovido mudanças: Amaggi, Caramuru Alimentos e Louis Dreyfus. Entre as empresas expostas à soja no universo avaliado, 48% têm compromisso público de desmatamento zero, mas apenas 7% informam que mais da metade de seus volumes são livres de desmatamento e conversão. Outros indicadores reforçam a lacuna: 26% divulgam mecanismo de rastreabilidade e 31% relatam processo de monitoramento de operações próprias e de fornecedores. Os objetivos da União Europeia serão atendidos de forma mais efetiva com uma implementação firme, sem novos adiamentos, simplificações ou redução de escopo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.