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14/Apr/2026

Margens do produtor pressionadas por alta de custos

O Brasil registra a maior safra de grãos da história, porém o produtor rural enfrenta deterioração das margens em meio à elevação dos custos logísticos e energéticos, sem capacidade de repasse aos preços das commodities. A valorização do diesel e do frete ocorre simultaneamente a um ambiente de preços internacionais definidos, comprimindo a rentabilidade no campo e ampliando a incerteza para o planejamento da próxima temporada. Em algumas regiões, a soja vem sendo negociada abaixo de R$ 100,00 por saca de 60 Kg, enquanto o diesel atingiu R$ 9,00 por litro, com alta próxima de 30% nas últimas semanas. Esse descompasso entre custos e receitas resulta em absorção direta das perdas pelo produtor, com aumento das despesas operacionais e redução da margem. O impacto do diesel sobre o custo de produção é estimado em 1,87% por hectare na soja e 1,24% no milho.

O principal efeito, no entanto, ocorre no transporte. Mato Grosso respondeu por 49,8% das exportações brasileiras de soja no primeiro bimestre, com US$ 1,87 bilhão embarcado. O Estado apresenta grandes distâncias logísticas e déficit de armazenagem estimado em 49%, o que força o escoamento imediato da produção, limitando a capacidade de retenção para melhores condições de preço ou custo. Além da elevação dos preços, há restrições de oferta no mercado de diesel, associadas à interrupção de fluxos de importação e à redução de fornecedores, gerando lacunas de suprimento. Produtores que realizaram vendas antecipadas enfrentam maior dificuldade, uma vez que os custos adicionais não podem ser repassados aos contratos já fixados. A pressão também se estende à cadeia de insumos agrícolas. Importadores de fertilizantes e defensivos têm repassado ao produtor os aumentos de frete internacional, elevando os custos e ampliando o risco de desabastecimento.

O frete marítimo, responsável por 70% das importações brasileiras em valor, permanece pressionado após restrições logísticas globais, incluindo impactos sobre rotas estratégicas de energia. Medidas governamentais foram implementadas para conter a alta dos combustíveis, incluindo subvenção de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo de R$ 4 bilhões por dois meses, sendo R$ 2 bilhões da União e R$ 2 bilhões dos Estados, além de subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel nacional, com custo de R$ 3 bilhões mensais. Esses valores se somam a R$ 0,32 por litro já em vigor desde março. Apesar disso, há defasagem na transmissão dos benefícios ao consumidor final, mantendo o combustível acima do preço de referência em diversas regiões. O impacto tende a ser mais relevante para o milho, ainda em fase de desenvolvimento, enquanto a soja já se encontrava em escoamento.

As exportações de soja somaram US$ 3,76 bilhões no primeiro bimestre, com preço médio de US$ 418 por tonelada, ainda 3,8% inferior ao registrado em 2024. O volume exportado se manteve elevado, mas a receita não acompanhou o avanço dos custos. Entre as alternativas discutidas para mitigar os efeitos, destaca-se a modernização do regime de drawback para insumos agrícolas, permitindo importações com isenção tributária condicionadas à exportação futura. Persistem, contudo, entraves estruturais como juros elevados e burocracia regulatória, que limitam investimentos em infraestrutura logística, incluindo ferrovias, hidrovias e armazenagem. Com a elevação dos custos de insumos, a pressão sobre a rentabilidade tende a se prolongar para além do ciclo atual. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.