13/Apr/2026
As exportações do Brasil aos países árabes do Golfo caíram 31,4% em março sobre o mesmo mês de 2025, para US$ 537,11 milhões, em meio aos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Em comparação com fevereiro de 2025, houve um tombo de 35,4%. Os dados são da Câmara de Comércio Árabe brasileira e incluem as vendas para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Além do fechamento do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo ao mar aberto e é uma rota vital para o comércio com estes países, ao longo de março o Irã retaliou os ataques alvejando instalações norte-americanas e outras nas nações vizinhas. O GCC tem uma participação significativa nas exportações do Brasil aos 22 países árabes, de quase 50%.
Em volumes, a queda em março foi ainda maior, de 70% em comparação com o mesmo mês de 2025, para 730,4 mil toneladas. Em relação a fevereiro de 2025, o recuo foi de 75%. O conflito interrompeu uma sequência de altas das exportações brasileiras para a região em janeiro e fevereiro, em comparação com os mesmos meses de 2025, que foi o segundo melhor ano da série histórica para os embarques ao bloco, tanto que no acumulado do primeiro trimestre as vendas ainda avançam 8,14%, para US$ 2,41 bilhões. Impactos ainda mais relevantes podem ser observados à frente, pois o comércio exterior tem um clico relativamente longo, do pedido ao embarque, do trânsito à entrega. Embora uma trégua entre os Estados Unidos e o Irã tenha sido anunciada na semana passada, a incerteza segue enorme.
Abril pode apresentar nova queda. Entre os produtos, as exportações de frango, principal item embarcado à região, recuaram 25,4%, as de açúcar, -43,4%, e as de milho praticamente zeraram. Na mão contrária, as vendas de carne bovina subiram 23,9%, e as de café, 34,4%. Em relação a fevereiro de 2025, porém, o comércio de carne tombou 32%, e o de frango, 14,7%. Se as vendas totais ao bloco caíram 31,4% sobre março de 2025, as do agronegócio recuaram menos, 25,4%. Alimentos são itens de primeira necessidade, vão por outras vias; ficam mais caros, mas têm que chegar. Já as importações do Brasil de produtos do GCC tiveram outro comportamento, subiram bastante em receitas na comparação anual. De fevereiro para março, porém, apesar de terem aumentado em receita, recuaram 12% em volume.
Mas, o comércio exterior é um processo que leva algum tempo, ou seja, os dados podem refletir desembarques de navios que já estavam em trânsito quando a guerra começou ou o escoamento de produtos por outras rotas, como Omã e a costa saudita do Mar Vermelho. As importações de fertilizantes da região, no entanto, caíram 51,3% no primeiro trimestre, sendo que o GCC responde por cerca de 10% destes insumos importados pelo agronegócio brasileiro. Há uma preocupação com a falta de insumos, o que se reflete também nos preços. No entanto, se as compras de fertilizantes do bloco caíram, elas foram compensadas pelas importações de outros países árabes, que subiram forte, com destaque para Marrocos, Egito e Argélia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.