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13/Apr/2026

Brasil: inflação acelera o ritmo de alta em março

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou março com alta de 0,88%, ante um avanço de 0,70% em fevereiro. A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 1,92%. O resultado acumulado em 12 meses foi de 4,14% até março, ante taxa de 3,81% até fevereiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,91% em março, após uma elevação de 0,56% em fevereiro. Com o resultado, o índice acumulou alta de 1,87% no ano. A taxa em 12 meses mostrou alta de 3,77%, ante taxa de 3,36% até fevereiro. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários-mínimos e chefiadas por assalariados. A alta de 0,88% registrada pelo IPCA em março foi o resultado mais alto desde fevereiro de 2025, quando havia subido 1,31%. Considerando apenas meses de março, a taxa foi a mais elevada desde 2022, quando foi de 1,62%. Em março de 2025, a taxa tinha sido de 0,56%.

Os preços de Alimentação e bebidas aumentaram 1,56% em março, após alta de 0,26% em fevereiro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,33% para o IPCA, que subiu 0,88% no mês. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve alta de 1,94% em março, após ter avançado 0,23% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,61%, ante alta de 0,34% em fevereiro. Os preços dos alimentos para consumo em casa subiram em março pelo quarto mês consecutivo. A alta de 1,94% em março foi a mais intensa desde abril de 2022, quando a alimentação em domicílio aumentou 2,59%. Na alimentação no domicílio, houve altas no tomate (20,31%), cebola (17,25%), batata-inglesa (12,17%), leite longa vida (11,74%) e carnes (1,73%). Na direção oposta, houve recuos na maçã (-5,79%) e café moído (-1,28%). A alimentação fora do domicílio subiu 0,61% em março: o lanche aumentou 0,89%, e a refeição teve elevação de 0,49%.

Os preços de Transportes subiram 1,64% em março, após alta de 0,74% em fevereiro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,34% para o IPCA, que subiu 0,88% no mês. Os preços de combustíveis tiveram alta de 4,47% em março, após recuo de 0,47% no mês anterior. A gasolina subiu 4,59%, após ter registrado queda de 0,61% em fevereiro, enquanto o etanol avançou 0,93% nesta leitura, após alta de 0,55% na última. O aumento de 4,59% na gasolina em março exerceu a maior pressão sobre a inflação oficial no País, uma contribuição de 0,23%. O óleo diesel saltou 13,90% em março, com impacto de 0,03% no mês. O etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular recuou 0,98%. Na média, os combustíveis encareceram 4,47% em março. A passagem aérea aumentou 6,08% em março, contribuição de 0,05%. O ônibus urbano avançou 1,17%. O táxi aumentou 0,26%, o metrô subiu 0,67%, e o ônibus intermunicipal avançou 0,22%. Os gastos das famílias brasileiras com Habitação passaram de uma alta de 0,30% em fevereiro para uma elevação de 0,22% em março, uma contribuição de 0,03% para a taxa de 0,88% registrada pelo IPCA do último mês.

A energia elétrica residencial subiu 0,13% em março. No mês, manteve-se a bandeira tarifária verde, sem custo adicional para os consumidores. A taxa de água e esgoto aumentou 0,24%. O gás encanado caiu 0,10%. O grupo Saúde e cuidados pessoais saiu de uma alta de 0,59% em fevereiro para uma elevação de 0,42% em março. O grupo deu contribuição de 0,06% para a taxa de 0,88% do IPCA do último mês. O resultado foi pressionado pelo aumento de 0,49% no plano de saúde. O grupo Despesas pessoais saiu de uma alta de 0,33% em fevereiro para elevação de 0,65% em março. O grupo deu contribuição de 0,07% para a taxa de 0,88% do IPCA do último mês. O resultado foi pressionado pelo aumento de 3,95% em cinema, teatro e concertos, após o fim da campanha de descontos da semana do cinema, realizada em fevereiro. A inflação de serviços, usada como termômetro de pressões de demanda sobre os preços, passou de um aumento de 1,51% em fevereiro para uma alta de 0,53% em março.

Os itens monitorados pelo governo saíram de uma elevação de 0,18% em fevereiro para um aumento de 1,22% em março. No acumulado em 12 meses, a inflação de serviços passou de 6,01% em fevereiro para 5,92% em março. A inflação de monitorados em 12 meses saiu de 4,37% em fevereiro para 5,45% em março. Todos os nove grupos que integram o IPCA registraram altas de preços em março. Houve aumentos em Alimentação e bebidas, alta de 1,56% e impacto de 0,33%; Artigos de residência (0,51%, impacto de 0,02%); Comunicação (0,19% e impacto de 0,01%); Saúde e cuidados pessoais (0,42% e impacto de 0,06%); Despesas pessoais (0,65%, impacto de 0,07%); Educação (0,02%, impacto de 0%); Transportes (1,64%, impacto de 0,34%); Habitação (0,22% e impacto de 0,03%); e Vestuário (0,46%, contribuição de 0,02%). Em março, todas as 16 regiões investigadas pelo IBGE registraram altas de preços.

A queda de 3,34% no pacote turístico exerceu o maior alívio individual sobre a inflação de março, um impacto de -0,02% para a taxa de 0,88% registrada no mês pelo IPCA. Figuraram ainda no ranking de principais alívios sobre o IPCA a seguro voluntário de veículo (-0,02%), maçã (-0,01%), café moído (-0,01%) e aparelho telefônico (-0,01%). Na direção oposta, a principal pressão partiu da gasolina, com alta de 4,59% e influência de 0,23%. Houve contribuições positivas também do leite longa vida (0,07%), tomate (0,05%), passagem aérea (0,05%), óleo diesel (0,03%), cebola (0,02%), feijão-carioca (0,02%), batata-inglesa (0,02%), cinema, teatro e concertos (0,02%), serviço bancário (0,02%), lanche fora de casa (0,02%), plano de saúde (0,02%) e refeição fora de casa (0,02%). A surpresa para cima com o IPCA de março aumentou a chance de o Banco Central perder novamente a meta de inflação nos próximos meses.

Com o resultado do mês passado, as medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasa o relatório Focus, passaram a indicar que o IPCA acumulado em 12 meses vai ficar acima do teto da meta, de 4,50%, por cinco meses seguidos: de outubro de 2026 até fevereiro de 2027. Válida desde o ano passado, a meta de inflação contínua é de 3%, com tolerância de 1,5% para mais ou para menos (de 1,50% a 4,50%). O novo regime é apurado com base na inflação acumulada em 12 meses. Se a taxa ficar acima ou abaixo do limite de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo. O IPCA acelerou de 0,70% em fevereiro para 0,88% em março, acima do teto (0,82%) e da mediana (0,77%). Foi a maior taxa mensal desde fevereiro de 2025 (1,31%), puxada pela disparada dos preços de gasolina (4,59%) e diesel (13,90%), os aumentos mais fortes, para esses itens, desde 2023 e 2002, respectivamente, em meio ao aumento dos preços de petróleo no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.