13/Apr/2026
Segundo comunicado da Copa-Cogeca, entidade que representa agricultores e cooperativas na União Europeia, os produtores de cereais do bloco enfrentam prejuízos pelo terceiro ano consecutivo, com perdas que podem atingir até 500 euros por hectare, refletindo uma crise estrutural no setor. O cenário é caracterizado pelo chamado efeito tesoura, com preços globais de grãos estagnados nos últimos cinco a sete anos e elevação significativa dos custos de produção. A União Europeia destina cerca de 157.000 mil hectares à agricultura, dos quais 98.000 mil hectares correspondem a terras aráveis. Mais da metade dessa área é utilizada anualmente para a produção de cereais, o que amplia o impacto da crise sobre a segurança alimentar e a relevância geopolítica do bloco. Desde 2020, os custos de energia aumentaram 100%, enquanto os fertilizantes também registraram forte valorização, com a ureia se aproximando de 800 euros por tonelada após a intensificação do conflito no Irã.
Adicionalmente, a implementação do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) elevou os custos dos insumos entre 10% e 15% desde novembro de 2025, ampliando a pressão sobre as margens dos produtores. Diante desse cenário, há demanda por suspensão do CBAM como forma de aliviar os custos de produção. Apesar da produtividade média do trigo na União Europeia alcançar 5,4 toneladas por hectare, acima da média global de 3,6 toneladas, os ganhos de rendimento permanecem estagnados na última década, influenciados por maior incidência de pragas e ervas daninhas e pela redução na disponibilidade de insumos fitossanitários eficazes. A manutenção desse ambiente pode comprometer a diversidade de culturas, com riscos de degradação dos solos e aumento da resistência de pragas, impactando não apenas os cereais, mas também outras culturas relevantes, como beterraba e batata. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.