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10/Apr/2026

FMI revisará projeção do crescimento global 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que deve revisar para baixo a projeção de crescimento da economia global em 2026, diante dos impactos da guerra no Oriente Médio. O conflito gerou um choque de oferta classificado como amplo, global e assimétrico, com efeitos sobre inflação e condução das políticas monetária e fiscal. A deterioração do cenário ocorre apesar de uma perspectiva anterior de melhora da atividade global. Os impactos incluem danos à infraestrutura, interrupções no fornecimento, perda de confiança e pressões adicionais sobre custos, especialmente no setor de energia. Mesmo com recuo recente, os preços do petróleo permanecem em patamar superior ao observado antes do conflito, com países enfrentando prêmios elevados para acesso a suprimentos. O FMI avalia diferentes cenários para a economia global, variando entre uma normalização mais rápida e um ambiente prolongado de preços elevados de petróleo e gás, com efeitos de segunda ordem sobre inflação e atividade.

Países exportadores de energia, como o Brasil, também tendem a sentir os impactos de custos mais altos, com risco de desancoragem das expectativas inflacionárias. As condições financeiras globais se tornaram mais restritivas, com aumento dos spreads de títulos de mercados emergentes, ajustes nos mercados acionários e valorização do dólar, ainda que esses movimentos tenham ocorrido de forma ordenada e já apresentem sinais iniciais de alívio. O impacto final dependerá da manutenção do cessar-fogo e da magnitude dos danos gerados pelo conflito, além da estabilidade do tráfego no Estreito de Ormuz. A capacidade de resposta dos países, incluindo o uso de reservas estratégicas de petróleo e gás, será determinante para mitigar os efeitos. Diante do choque de oferta, o ajuste da demanda tende a ser necessário, enquanto a diversificação e eficiência energética ganham relevância como estratégia de longo prazo.

O FMI estima que a demanda de curto prazo por apoio ao balanço de pagamentos possa atingir entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões, em decorrência dos impactos da guerra no Oriente Médio. A projeção considera que, em caso de manutenção do cessar-fogo, a necessidade tende a se concentrar no limite inferior da faixa. A prioridade de atendimento recai sobre países importadores de petróleo mais vulneráveis, especialmente aqueles classificados em grau especulativo e com programas já apoiados pelo Fundo. A estimativa atual é inferior ao potencial observado em cenários anteriores, refletindo a adoção de políticas macroeconômicas mais robustas por diversas economias emergentes, o que amplia a capacidade de resposta ao choque externo. No campo financeiro, o FMI reforça a necessidade de maior vigilância por parte de reguladores e supervisores, diante de um ambiente de condições financeiras amplamente acomodatícias nos últimos anos.

Esse cenário foi impulsionado por avanços tecnológicos e pela expansão de intermediários financeiros não bancários, fatores que, embora tenham sustentado o crescimento, aumentam o risco de reversões. Adicionalmente, a expansão da inteligência artificial e suas elevadas demandas energéticas são apontadas como elementos de pressão sobre a estabilidade financeira. Nesse contexto, políticas micro e macroprudenciais ganham relevância para mitigar riscos e garantir a resiliência do sistema financeiro global. Ainda, o FMI defende a aprovação da 16ª Revisão Geral de Cotas, que prevê aumento de 50% no valor das contribuições dos países membros, sem alteração na distribuição de poder de voto. A medida foi encaminhada para apreciação nos Estados Unidos e visa fortalecer a capacidade financeira do organismo diante de incertezas globais.

Mesmo sem necessidade de financiamento direto, economias emergentes como Brasil e Índia seguem dependentes da vigilância e do suporte institucional, especialmente no contexto de estabilidade regional. A atuação do FMI é considerada relevante para mitigar riscos em países vizinhos e preservar o equilíbrio econômico. A revisão das cotas também é interpretada como mecanismo de fortalecimento institucional, ampliando o respaldo dos países membros ao organismo. O Brasil já manifestou apoio à aprovação da 16ª revisão e à continuidade do processo para a 17ª rodada. O avanço das próximas etapas depende da aprovação da atual revisão, enquanto o debate sobre redistribuição de poder de voto permanece em aberto, diante da resistência de países com maior participação relativa no Fundo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.