09/Apr/2026
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a inflação no atacado medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou avanço em março, impulsionada pela alta de commodities agropecuárias e por produtos influenciados pelo cenário geopolítico no Oriente Médio. O índice passou de queda de 0,84% em fevereiro para alta de 1,14% em março, acumulando recuo de 1,30% em 12 meses. No Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), a variação saiu de -1,21% em fevereiro para 1,38% em março, com retração de 3,63% em 12 meses. As maiores pressões vieram de produtos agropecuários, com destaque para minério de ferro (3,33%), bovinos (3,63%), leite in natura (5,54%), ovos (15,99%) e milho em grão (3,55%). Itens sensíveis ao cenário geopolítico, como combustíveis e fertilizantes, passaram a figurar entre as principais influências do índice, indicando aumento da relevância do conflito no Oriente Médio sobre os preços ao produtor.
Entre os principais alívios no atacado em março estiveram álcool etílico anidro (-5,05%), biodiesel (-7,97%), mandioca/aipim (-8,27%), aves (-3,29%) e carne bovina (-0,61%). A inflação ao consumidor medida pelo IGP-DI foi pressionada em março pela alta de 3,85% no preço da gasolina. O movimento contribuiu para a reversão do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI), que passou de queda de 0,14% em fevereiro para avanço de 0,67% em março. Além dos combustíveis, houve pressões relevantes em serviços bancários (2,80%), tomate (18,19%), batata-inglesa (21,45%) e cinema (13,99%). Em sentido oposto, contribuíram para conter a inflação itens como passagem aérea (-13,53%), perfume (-5,73%), maçã (-4,83%), café em pó (-1,13%) e açúcar refinado (-3,28%). A elevação da gasolina apresentou comportamento heterogêneo entre capitais, com variações superiores a 10% em algumas localidades, reforçando o impacto do grupo Transportes, cuja taxa passou de 0,04% em fevereiro para 1,51% em março.
Também registraram aceleração Alimentação (de 0,07% para 1,31%), Educação, Leitura e Recreação (de -2,81% para -0,97%), Despesas Diversas (de 0,37% para 1,70%), Vestuário (de -0,24% para 0,48%), Comunicação (de 0,05% para 0,10%) e Habitação (de 0,34% para 0,36%). A desaceleração ocorreu apenas em Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,12% para 0,05%). O núcleo do IPC-DI registrou alta de 0,37% em março, após avanço de 0,27% em fevereiro. Dos 85 itens que compõem o índice, 33 foram excluídos do cálculo do núcleo. O índice de difusão, que mede a proporção de itens com aumento de preços, avançou de 57,10% para 65,48%, indicando maior disseminação das pressões inflacionárias no período. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.