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09/Apr/2026

Energia e alimentos vão elevar inflação em 2026

O Rabobank revisou para cima a projeção de inflação no Brasil para o fim de 2026, elevando a estimativa de 4,1% para 4,4%, em um cenário marcado por pressões externas sobre energia e alimentos. A revisão reflete, principalmente, os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados. A inflação de alimentos também deve encerrar o ano acima de 4%, superando o nível observado em 2025. Para o segundo trimestre, a expectativa é de continuidade da pressão sobre os preços, em contraste com o padrão sazonal de queda registrado em anos anteriores. O aumento do diesel é apontado como um dos principais vetores de alta, ao impactar diretamente os custos de frete e, consequentemente, os preços ao consumidor, especialmente de produtos in natura.

Esse encarecimento logístico reforça a transmissão da inflação ao longo da cadeia de abastecimento. No mercado doméstico, o poder de compra das famílias permanece pressionado. A relação entre rendimento médio e custo da cesta básica segue deteriorada em comparação a anos anteriores, indicando limitação estrutural do consumo. O histórico recente mostra redução na quantidade de cestas básicas adquiridas com a renda mensal, em meio à alta de preços e à perda de dinamismo do varejo alimentar. No segmento de proteínas, a expectativa é de recuperação gradual dos preços nos próximos meses, após um período de retração. No setor de lácteos, o cenário de curto prazo aponta para preços mais baixos ao consumidor, refletindo a queda no valor do leite no campo.

O consumo de bebidas também apresenta fragilidade, com menor volume demandado, influenciado por mudanças de comportamento. Eventos sazonais ao longo do ano podem gerar estímulos pontuais, mas sem alterar de forma estrutural a tendência. O elevado nível de endividamento das famílias segue como principal fator de restrição ao consumo. Medidas de estímulo, como programas governamentais e ajustes tributários, tendem a ter efeito limitado no curto prazo, diante da priorização da redução de dívidas. A expectativa é de que eventuais políticas adicionais ao longo do ano possam contribuir para sustentar a demanda na segunda metade de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.