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09/Apr/2026

Mercosul-UE: Europa teme força do Agro brasileiro

Com o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) já aprovado no Brasil e com vigência provisória confirmada para 1º de maio, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues afirmou nesta quarta-feira (08/04) que a resistência europeia ao tratado reflete, antes de tudo, o temor à força competitiva do agronegócio brasileiro. A oposição ao avanço do acordo não decorre apenas de divergências comerciais ou regulatórias, mas da percepção de que o Brasil se tornou uma potência agropecuária global. “Houve medo de concorrência conosco”, afirmou. “Se nós, com só 10% do território com agricultura, já somos campeões de nove commodities, há um temor no mundo todo em relação a isso.” A proteção europeia ao campo vai além da disputa econômica. A agricultura ocupa no continente um lugar de identidade e formação histórica, o que ajuda a explicar os motivos pelos quais governos defendem com tanta intensidade um setor que hoje representa parcela pequena da população e do Produto Interno Bruto do bloco.

“Não é só pela concorrência. É por amor à agricultura”, afirmou. “Essa coisa é que não existe no Brasil.” Essa diferença de percepção ajuda a explicar a razão pela qual o agro brasileiro ainda não é reconhecido internamente com a mesma força com que é visto como ameaça competitiva no exterior. O debate em torno do acordo ocorre num ambiente de enfraquecimento do multilateralismo e de perda de protagonismo de organismos internacionais. Esse cenário agravou a desordem global e ampliou a importância de países capazes de responder a desafios simultâneos de segurança alimentar, energia, desigualdade social e clima. O papel do Brasil em defesa da segurança alimentar, da energia renovável, de emprego e de renda, da desigualdade social, cuidando o clima, é central. O Brasil precisa transformar esse ativo em estratégia permanente de Estado.

O País desenvolveu ao longo das últimas décadas uma tecnologia agrícola tropical sustentável e replicável, com potencial de ser levada a outras regiões do mundo tropical. O Brasil é o único país do mundo que desenvolveu uma tecnologia tropical sustentável, replicável nesse mundo tropical. Deve ter uma estratégia do Estado brasileiro. O Brasil importava cerca de 30% dos alimentos que consumia há 50 anos e hoje exporta para 200 países. Essa transformação não encontra paralelo no agro contemporâneo, mas segue pouco compreendida pela sociedade brasileira. O ex-ministro associou a capacidade brasileira de produzir alimentos, energia e renda à estabilidade internacional e defendeu que essa agenda seja assumida como projeto nacional. “Convençam o povo brasileiro que nós podemos ser campeões mundiais da paz”, disse. “E não há nenhum outro bem mais importante do que a paz do mundo.” Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.