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09/Apr/2026

EUA: retórica agressiva de Donald Trump gera críticas

A retórica agressiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçando “devastar” o Irã, “eliminar uma civilização inteira” e destruir usinas, estradas e pontes dividiu a base trumpista e provocou críticas incomuns de alguns congressistas aliados, assustados com a possibilidade de o presidente norte-americano cometer crimes de guerra. Duas declarações de Trump soaram o alerta. No domingo (05/04), ele usou palavrões para ameaçar o Irã. “Abram a p... do estreito, seus filhos da p..., ou vocês vão para o inferno”, escreveu Trump em rede social, em mensagem que terminou com “Louvado seja Alá”, em pleno domingo de Páscoa. Na terça-feira (07/04), ele subiu o tom. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar”, escreveu, também em rede social.

Algumas das reações mais contundentes contra o presidente vieram do trumpismo. Vários comentaristas de extrema direita criticaram as ameaças de atacar infraestrutura civil. Eles acusam o presidente de abandonar sua promessa de campanha de não lançar os Estados Unidos em novos conflitos. Tucker Carlson, ex-âncora da Fox News, chamou a estratégia da Casa Branca de atacar alvos civis de “desprezível em todos os níveis”. “Nem um mês e meio após o início do conflito e vamos usar nossas forças armadas para matar civis”, disse. Marjorie Taylor Greene, ex-deputada republicana e aliada de primeira hora, se uniu aos democratas para pedir a destituição de Trump com base na 25ª Emenda, que prevê a remoção do presidente por incapacidade mental.

O radialista de direita Alex Jones também se juntou ao coro. “Um bom líder pode simplesmente enlouquecer”, disse. “Essa é a loucura de um rei.” A comentarista Candace Owens, uma das figuras mais populares do trumpismo, condenou a guerra e chamou Trump de “lunático genocida”, pedindo que o Congresso e as forças armadas intervenham. Até Nigel Farage, o expoente da extrema direita nacionalista do Reino Unido, que cresceu na política britânica imitando o presidente norte-americano, disse que Trump foi longe demais. “Estou chocado. É um exagero. É claro que ele quer ameaçar, para obrigá-los a negociar. Mas essas palavras foram longe demais.” O senador republicano Ron Johnson, aliado de Trump, alertou que o presidente perderia seu apoio se atacasse a infraestrutura civil do Irã, o que, segundo muitos analistas, poderia ser considerado crime de guerra. “Seria um erro”, afirmou.

A maioria da bancada republicana, no Senado e na Câmara, porém, ainda apoia o presidente. Os democratas foram mais explícitos. Chuck Schumer, líder da oposição no Senado, disse que Trump é “uma pessoa doente”. “Ele está completamente desequilibrado”, afirmou o deputado Hakeem Jeffries, líder da bancada do partido na Câmara. Os pedidos de destituição com base na 25ª Emenda, no entanto, tiveram apoio aberto de apenas 30 congressistas. Algumas vozes, como o senador Chris Van Hollen, lembraram que, em caso de ataque à infraestrutura civil do Irã, o presidente estaria cometendo crimes de guerra. Outras, como a deputada Ayanna Pressley, acusaram Trump de ameaçar abertamente praticar um genocídio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.