08/Apr/2026
O Brasil colhe a maior safra de grãos da história, mas o produtor rural enfrenta o pico do escoamento com o diesel disparado, frete em alta e sem mecanismo para repassar esses custos ao preço da commodity. É o que reclama o setor agrícola. E o problema já começa a migrar para a cadeia de insumos, ampliando a incerteza para o planejamento da próxima temporada. Segundo a Aprosoja-MT, o produtor não consegue repassar esse custo. A soja é uma commodity com preço definido no mercado internacional, diferente do diesel, que sofre variações e tem seus custos rapidamente repassados pelos distribuidores, assim como acontece com o frete. O grão que representa cerca de 50% do volume retirado do campo. Em algumas regiões do Estado, a soja vem sendo negociada abaixo de R$ 100,00 por saca de 60 Kg ao mesmo tempo em que o diesel chegou a R$ 9,00 por litro, com alta próxima de 30% nas últimas semanas.
O produtor absorve esse prejuízo, com aumento de custos e redução de receita, comprimindo ainda mais a rentabilidade. O aumento do combustível eleva o custo de produção em cerca de 1,87% por hectare na soja e 1,24% no milho, segundo estimativa da Aprosoja-MT. O maior impacto, porém, está no transporte. Mato Grosso concentrou 49,8% das exportações brasileiras de soja em janeiro e fevereiro, com US$ 1,87 bilhão embarcado, segundo a Logcomex, plataforma de inteligência de dados para o comércio exterior. É também o Estado com as maiores distâncias logísticas do País e déficit de armazenagem estimado em 49%, o que obriga o produtor a escoar rapidamente, sem poder aguardar melhora de preço ou custo. A Sociedade Rural Brasileira (SRB) chama atenção para um componente da crise que vai além da alta de preços.
A crise do diesel não foi somente uma questão de preço do petróleo, mas também de escassez, haja visto que algumas distribuidoras que importavam diesel da Rússia tiveram que encerrar a importação e, portanto, houve um gap de suprimento no mercado. Para quem travou venda antecipada antes do início do conflito entre Estados Unidos e Irã, a situação é ainda mais difícil. Em muitos casos não é possível repassar no preço das commodities. O choque já alcança a cadeia de insumos agrícolas. Importadores de fertilizantes e defensivos não estão conseguindo absorver os custos adicionais de frete internacional e já repassam os valores ao produtor, segundo o Fiorde Group. Além do preço mais alto, há risco real de desabastecimento. É preciso levar em consideração o aumento dos insumos, uma vez que existe a demanda e há risco de falta destes insumos por problemas logísticos.
O canal de transmissão é o frete marítimo, que responde por 70% das importações brasileiras em valor, segundo a Logcomex, e que opera sob pressão desde o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem por onde transita cerca de 20% do petróleo negociado no mundo. O governo anunciou na segunda-feira (06/04) uma bateria de medidas para conter a alta dos combustíveis. Para o diesel importado, lançou subvenção de R$ 1,20 por litro, com custo de R$ 4 bilhões por dois meses, sendo R$ 2 bilhões da União e R$ 2 bilhões dos Estados, com 25 Unidades da Federação já confirmando adesão. Para o diesel produzido no Brasil, anunciou subvenção adicional de R$ 0,80 por litro, com custo de R$ 3 bilhões por mês arcado integralmente pelo governo federal. As duas subvenções se somam aos R$ 0,32 por litro já em vigor desde março. Mato Grosso aderiu ao programa. Mas, o benefício deve demorar para chegar à ponta. Nos distribuidores regionais de diesel, conhecidos como TRRs, e nas bombas dos postos do interior, o combustível continua sendo comercializado fora do preço de referência.
O impacto tende a ser menor para a soja, cuja safra já estava em escoamento quando o diesel disparou, e mais relevante para o milho, ainda na lavoura. As exportações de soja somaram US$ 3,76 bilhões em janeiro e fevereiro, com preço médio de US$ 418,00 por tonelada, ainda 3,8% abaixo do registrado em 2024, segundo a Logcomex. O volume saiu, mas a receita não acompanhou o ritmo dos custos. Para agentes do setor, a subvenção trata o ‘sintoma sem atacar a doença’. O setor defende a modernização do regime de drawback para insumos agrícolas, mecanismo que permite importar com isenção tributária condicionada à exportação futura. Isso permitiria a importação de insumos agrícolas com alíquota zero condicionada a que ocorra exportações da propriedade. Juros altos e burocracia de licenciamento são entraves ao investimento em ferrovias, hidrovias e armazenagem. Com insumos mais caros chegando ao campo, a pressão sobre a rentabilidade do produtor tende a se estender para além do escoamento da safra atual. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.