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08/Apr/2026

Empresas veem risco de novas taxas dos EUA em 2026

Levantamento da Amcham Brasil indica que a maior preocupação dos empresários na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos em 2026 é a possibilidade de novos aumentos de tarifas por parte dos norte-americanos. As eventuais sobretaxas foram citadas por 85,7% dos participantes. Na sequência, aparecem as incertezas regulatórias ou comerciais, mencionadas por 76,2%, e as investigações no âmbito da Seção 301, apontadas por 46% dos respondentes. Apenas 3,2% afirmaram não enxergar preocupações relevantes no comércio bilateral. Em relação à atuação do governo brasileiro, 90,5% dos empresários defendem a intensificação do diálogo diplomático e comercial com os Estados Unidos. Além disso, 71,4% consideram fundamental a busca por soluções negociadas para evitar novas medidas restritivas, enquanto 30,2% avaliam como necessária a adoção de políticas de apoio às empresas impactadas.

O ambiente de negócios segue marcado por incertezas quanto às estratégias empresariais. Para 39,7% dos entrevistados, ainda é prematuro avaliar os efeitos das decisões recentes envolvendo tarifas comerciais. Outros 33,3% pretendem manter o nível atual de exportações para o mercado norte-americano. Há também movimentos de diversificação: 30,2% indicam intenção de ampliar exportações para os Estados Unidos, enquanto 25,4% consideram redirecionar vendas para novos mercados. A redução das exportações para o país foi apontada por 4,8% dos participantes. O cenário reforça a necessidade de acompanhamento das relações comerciais bilaterais, diante da persistência de temas sensíveis e da possibilidade de mudanças nas condições de acesso ao mercado norte-americano.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil alcançou recorde histórico no valor das exportações em 2025, mesmo em um ambiente internacional marcado por elevada volatilidade e mudanças relevantes na política comercial dos Estados Unidos. O desempenho reflete crescimento de 3,3% nas exportações brasileiras para o restante do mundo, acompanhado pela ampliação da base de empresas exportadoras. O resultado evidencia a capacidade de adaptação do País diante de um cenário global mais adverso e em transformação. As exportações para os Estados Unidos recuaram 6,6% em 2025, com maior impacto sobre produtos industriais de maior valor agregado. A participação norte-americana nas vendas externas brasileiras ficou abaixo de 10% nos primeiros meses de 2026, reforçando a perda relativa de espaço desse mercado na pauta exportadora. A retração também se refletiu na redução da base exportadora direcionada aos Estados Unidos, com saída de aproximadamente 300 empresas ao longo do período.

O movimento é considerado relevante diante da importância estratégica do mercado norte-americano, especialmente para bens com maior conteúdo tecnológico. Apesar das dificuldades, houve melhora no relacionamento bilateral ao longo de 2025, sustentada por esforços conjuntos do setor privado e do governo para manutenção e avanço do diálogo comercial. Esse fator contribuiu para preservar canais institucionais e mitigar parte dos impactos negativos. O contraste entre o recuo nas exportações para os Estados Unidos e a expansão global evidencia um processo de diversificação de mercados. Ainda assim, o mercado norte-americano segue sendo considerado estratégico, dado seu potencial de geração de comércio, investimentos e empregos, indicando espaço para recuperação e aprofundamento das relações comerciais.

Representantes de empresas reforçaram a relevância dos Estados Unidos como eixo estratégico para os negócios, mesmo diante de incertezas no cenário externo, especialmente relacionadas à política comercial norte-americana. As prioridades para o fortalecimento da relação bilateral são: a melhoria do ambiente de negócios, o avanço em oportunidades ligadas a minerais críticos e o desenvolvimento de uma agenda de inovação. Esses temas foram apontados como centrais para a ampliação das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos. A avaliação é de que o mercado norte-americano permanece integrado às estratégias de longo prazo das empresas brasileiras, sustentado por sua relevância global e pelo potencial de geração de oportunidades comerciais e tecnológicas.

Apesar desse cenário, persistem pontos de atenção na relação bilateral, com destaque para o risco de novas medidas tarifárias ao longo do ano, o que mantém o ambiente de cautela entre os agentes econômicos. Ainda assim, a percepção geral segue positiva quanto ao relacionamento entre os países, sustentada pelo elevado volume de investimentos cruzados e pela complementaridade econômica. A presença de empresas norte-americanas no Brasil e a expansão de companhias brasileiras nos Estados Unidos reforçam o dinamismo da parceria. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.