06/Apr/2026
Segundo o Citi, o cenário para o setor sucroenergético brasileiro apresentou fundamentos mais restritos em março, período de entressafra na Região Centro-Sul, com baixo volume de moagem. Nesse contexto, as usinas ativas priorizaram a produção de etanol, impulsionadas por preços mais atrativos em relação ao açúcar. Os preços internacionais do açúcar registraram alta no mês, embora ainda permaneçam próximos de 15,00 centavos de dólar por libra-peso. O movimento reflete a valorização do etanol e da energia, além de expectativas de menor oferta por parte da Índia e de maior direcionamento da produção brasileira para o biocombustível.
A perspectiva climática também reforça esse quadro. A probabilidade crescente de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 pode comprometer a produtividade agrícola, contribuindo para um aperto no balanço global de oferta e demanda e sustentação adicional dos preços do açúcar. No mercado doméstico, a combinação de fundamentos mais ajustados para o etanol e preços elevados da gasolina sustentou a competitividade do biocombustível em cinco Estados. Ainda assim, a tendência é de redução dessa paridade com o avanço da safra de cana-de-açúcar nas próximas semanas. Nesse ambiente, a projeção é de valorização adicional do açúcar, com estimativas de 17,00 centavos de dólar por libra-peso em três meses e 19,00 centavos de dólar por libra-peso em 12 meses. O cenário é considerado positivo para empresas do setor sucroenergético, com destaque para Jalles Machado, São Martinho e Raízen.
No segmento de grãos, a colheita de soja no Brasil atingiu cerca de 61%, em linha com a média histórica, embora abaixo do ritmo observado no mesmo período do ano anterior. O plantio do milho 2ª safra de 2026 avançou para 89%, também alinhado com o padrão histórico. As condições climáticas seguem favoráveis no curto prazo, com exceção da Região Sul, que apresenta precipitações abaixo da média. Os preços da soja e do milho apresentaram recuperação tanto no mercado internacional quanto no doméstico, influenciados por tensões geopolíticas e pelo aumento dos custos energéticos. Com isso, houve revisão para cima nas projeções de curto prazo, o que tende a favorecer empresas agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.