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06/Apr/2026

Guerra no Irã eleva pressões inflacionárias no Brasil

A intensificação do conflito no Oriente Médio, com efeitos sobre o fluxo global de energia, já impacta as projeções de inflação no Brasil, com tendência de transmissão dos custos dos combustíveis para fertilizantes e, posteriormente, para os alimentos. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz tem ampliado a pressão sobre os preços internacionais, com reflexos nas expectativas domésticas. O Boletim Focus mais recente indica elevação da projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 4,31% no ano, após três semanas consecutivas de alta, aproximando-se do limite superior da meta. Há um mês, a estimativa era de 3,91%. No mesmo período, a projeção para a taxa Selic foi ajustada de 12% ao ano para 12,5% ao ano ao final do período. O comportamento dos alimentos apresenta tendência de alta, com revisões sucessivas nas estimativas.

A projeção de aumento, inicialmente em 3%, foi elevada para 4,4% com o início do conflito e posteriormente ajustada para 4,6% após a divulgação de indicadores recentes de inflação. O grupo de alimentos possui peso relevante na composição do índice geral, ampliando seu impacto sobre o custo de vida. Além do cenário externo, fatores climáticos também contribuem para a pressão inflacionária. A ocorrência de El Niño tende a afetar o desempenho da safra, adicionando incertezas à oferta agrícola e reforçando a tendência de elevação de preços. Nesse contexto, a inflação anual apresenta baixa probabilidade de ficar abaixo de 4%, com o teto condicionado à duração do conflito internacional. O ambiente doméstico apresenta fatores de mitigação e restrição.

A desvalorização do dólar frente a outras moedas contribui para suavizar parte das pressões externas, enquanto o ciclo prolongado de política monetária restritiva reduz a probabilidade de novos aumentos na taxa de juros no curto prazo. No campo fiscal e regulatório, medidas voltadas à contenção de preços, como controle sobre o diesel, limitação de reajustes tarifários de energia elétrica, subsídios ao gás de cozinha e iniciativas para redução do endividamento das famílias, atuam como instrumentos de mitigação de curto prazo. No entanto, essas ações não alteram os fundamentos dos choques de oferta, mantendo o ambiente inflacionário pressionado. A combinação entre política fiscal expansionista e política monetária restritiva evidencia um descompasso na condução macroeconômica, com impactos sobre a dinâmica inflacionária. O cenário permanece condicionado à evolução do conflito no Oriente Médio e aos seus efeitos sobre energia, custos de produção e cadeias globais de suprimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.