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02/Apr/2026

Clima: El Niño eleva risco para agricultura em 2026

Segundo o Bradesco, a irregularidade das chuvas no primeiro trimestre e a formação do fenômeno El Niño no segundo semestre mantêm o clima como principal vetor de risco para a produtividade agrícola no Brasil em 2026. O cenário combina incertezas sobre a 2ª safra, pressão sobre os custos de produção e maior cautela do produtor nas decisões de investimento. No primeiro trimestre, o regime de chuvas foi marcado por forte irregularidade, com volumes abaixo da média em grande parte do País e concentração em poucos períodos. Em março, houve melhora parcial nas precipitações em áreas do Centro-Oeste, São Paulo e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), enquanto a Região Sul permaneceu sob estresse hídrico, com destaque para o Rio Grande do Sul, onde já há indicação de perdas de produtividade nas safras locais.

Para o próximo trimestre, o padrão climático segue heterogêneo. A expectativa é de redução das chuvas no Centro-Sul, favorecendo o avanço da colheita, mas com potencial de limitar o desenvolvimento da 2ª safra nas regiões mais secas e impactar culturas de inverno. Na Região Sul, a previsão indica volumes mais elevados, com risco de efeitos adversos sobre a qualidade e a produtividade em determinadas áreas. O principal fator de atenção está no segundo semestre, com o início do processo de formação do El Niño durante o outono. Projeções meteorológicas indicam probabilidade superior a 50% de configuração do fenômeno ao longo do inverno no Hemisfério Sul, com potencial de influência sobre o clima global nos meses subsequentes.

Historicamente, o El Niño está associado ao aumento das chuvas no Sul e à redução dos volumes no Nordeste, alterando o calendário de plantio e o desenvolvimento das lavouras. Na Região Sul, há risco de eventos climáticos mais intensos já no outono, enquanto na Região Nordeste existe possibilidade de atraso no início da safra, com impacto direto sobre a produtividade. Além dos efeitos diretos sobre as lavouras, o clima interage com os custos de produção. A definição do regime de chuvas coincide com o período de aquisição de insumos, concentrado entre abril e junho, ampliando a sensibilidade do produtor às incertezas climáticas. A redução na aplicação de fertilizantes, em um cenário de anomalias climáticas, tende a limitar a produtividade média.

O ambiente climático adverso se soma a um cenário de custos mais elevados, impulsionado pela alta de energia, fertilizantes e logística em meio ao conflito no Oriente Médio. A combinação de maior risco produtivo e margens mais pressionadas reforça a tendência de postura defensiva do produtor, com possível redução no uso de insumos e impacto potencial sobre o rendimento das lavouras. No primeiro trimestre, a maior parte do País registrou precipitações abaixo da média, com exceção do sul da Bahia e de grande parte de Minas Gerais. Em março, as chuvas avançaram no Centro-Oeste, em São Paulo e no Matopiba, enquanto o Rio Grande do Sul manteve baixos acumulados ao longo de todo o período. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.