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31/Mar/2026

Governo federal preparando “pacote de bondades”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva investe em um ‘pacote de bondades’. Lula entrou no que aliados chamam de "modo cobrança" e tem pressionado auxiliares a apresentarem resultados rápidos porque, no seu diagnóstico, a comunicação do governo ainda não conseguiu demonstrar o que vem sendo feito. Se por um lado os indicadores macroeconômicos são favoráveis ao governo, com inflação dentro do intervalo de tolerância da meta, desemprego na mínima histórica e crescimento do PIB, por outro as pesquisas indicam que a economia continua sendo uma das principais preocupações dos brasileiros. O crescente endividamento das famílias, com a taxa de juros nas alturas, é o que mais causa apreensão no presidente a menos de sete meses das eleições. Na lista das medidas em estudo por Lula estão iniciativas para reduzir a conta de luz e diminuir o custo do rotativo do cartão de crédito. A equipe econômica também vai regulamentar o uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o crédito consignado privado e avalia outras formas de reduzir os juros para as famílias.

- Custo da energia elétrica entra no radar: na semana passada, Lula se reuniu com ministros para acertar detalhes de um empréstimo de aproximadamente R$ 7 bilhões às distribuidoras de energia elétrica. A linha de crédito será criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para minimizar o aumento das tarifas de energia neste ano de eleições. Há receio de que a guerra no Oriente Médio contribua para a elevação desses preços.

- Dívida em alta preocupa: o endividamento das famílias tem causado apreensão. Duas reuniões de emergência já foram convocadas pelo presidente, nos últimos dias, apenas para tratar do tema e vieram à tona ideias para fixar um teto no crédito rotativo do cartão. Joga contra essa proposta, no entanto, o fato de o governo já ter adotado um teto para os juros em 2024 sem que a medida tenha sido eficiente. Pelos dados do Banco Central, o endividamento das famílias em relação à renda anual chegou a 49,69%, abaixo apenas de julho de 2022. Outro dado que também preocupa é o comprometimento da renda com o pagamento das prestações. O número é recorde para a série do Banco Central e mostra que os brasileiros já gastam quase um terço do salário para pagar juros e serviço das dívidas com o sistema financeiro nacional. Em dezembro do ano passado, esse porcentual atingiu 29,19%.

- Comprometimento da renda com pagamento de dívida: Lula tem reclamado muito com auxiliares sobre o fato de o governo não conseguir divulgar suas realizações e parecer inerte diante dos últimos acontecimentos. "O povo quer mais porque está mais endividado. O padrão de consumo também mudou", disse o presidente. "Apesar de as pessoas estarem ganhando mais do que quando nós entramos, a percepção delas é que não estão. Nunca colocamos na nossa conta despesas com celular, iFood, Uber, Pix e nem despesas com um cachorrinho". O presidente pediu à equipe de comunicação que faça uma campanha de esclarecimento sobre esse tipo de gastos para que o trabalhador saiba como administrar os seus próprios rendimentos.

- Guerra já levou a medidas para o diesel: o governo já anunciou medidas para tentar conter a alta do preço do diesel, que tem como pano de fundo o conflito no Oriente Médio. A guerra fez o preço do barril de petróleo saltar da casa de US$ 60 para mais de US$ 100, em um choque de energia que atingiu o mundo todo. O grande temor do governo é que haja uma greve de caminhoneiros por causa do aumento dos preços. No início do mês, a equipe econômica zerou os impostos federais (PIS e Cofins) sobre o diesel e adotou medidas de subvenção (aporte direto de recursos) para os importadores do produto. O custo estimado é de R$ 3 bilhões ao mês, para tentar reduzir em R$ 0,64 o preço do litro do combustível. Ao todo, a iniciativa deve custar R$ 30 bilhões ao governo, mas esse valor será pago com a criação de um imposto de exportação temporário para o setor de petróleo. Isoladamente, a renúncia fiscal com PIS e Cofins será da ordem de R$ 20 bilhões, enquanto as subvenções vão custar em torno de R$ 10 bilhões. No dia seguinte do anúncio, porém, a Petrobras reajustou os preços, o que fez com que o impacto na bomba fosse quase nulo. Na prática, a medida permitiu que a empresa corrigisse um pedaço da defasagem e evitasse que o risco de desabastecimento, que ainda existe, ficasse ainda maior. Agora, a equipe econômica negocia com os Estados para que eles consigam mitigar o custo do ICMS sobre o diesel. A primeira proposta foi feita, mas enfrenta resistência dos governadores. Uma nova rodada de negociações foi aberta, e a intenção da Fazenda é conceder subvenção para reduzir o preço em R$ 1,20 por litro importado, dividindo a conta com os governadores. O objetivo do governo é pagar tudo à vista, mas descontar a parcela que o Tesouro tem de transferir para o Fundo de Participação dos Estados (FPE). Após reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), o grupo dos resistentes à ideia compreendeu a proposta.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.