27/Mar/2026
A prévia da inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou desaceleração em março, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrando alta de 0,44%, após avanço de 0,84% em fevereiro. Apesar da perda de ritmo, o resultado ficou acima das expectativas de mercado e reforça um cenário ainda heterogêneo entre os principais grupos de preços. No acumulado de 2026, o índice avança 1,49%, enquanto em 12 meses a alta desacelerou para 3,90%, ante 4,10% no mês anterior, atingindo o menor nível desde maio de 2024. O movimento confirma a continuidade do processo de desinflação, ainda que com pressões pontuais relevantes. O principal destaque de março foi o grupo Alimentação e bebidas, que passou de alta de 0,20% em fevereiro para 0,88%, contribuindo com 0,19% para o índice geral. A alimentação no domicílio acelerou de 0,09% para 1,10%, registrando o terceiro avanço consecutivo, com elevações expressivas em itens como açaí, feijão-carioca, ovo de galinha, leite longa vida e carnes.
Por outro lado, café moído e frutas apresentaram recuo, atuando como fatores de alívio. A alimentação fora do domicílio apresentou alta mais moderada, de 0,35%, desacelerando em relação ao mês anterior, o que indica menor repasse imediato de custos ao consumidor final nesse segmento. No grupo Transportes, houve desaceleração relevante, com alta de 0,21% em março, após 1,72% em fevereiro, contribuindo com 0,04 ponto porcentual. O movimento foi influenciado pela estabilidade nos combustíveis, que registraram leve queda de 0,03%, com recuos na gasolina e no etanol, reduzindo a pressão inflacionária no curto prazo. O grupo Habitação apresentou elevação de 0,24%, com impacto de 0,04%, refletindo principalmente o aumento de 0,29% na energia elétrica residencial. De forma mais ampla, todos os nove grupos pesquisados registraram alta no período, evidenciando uma inflação disseminada, ainda que em níveis moderados.
Entre as maiores pressões individuais estiveram passagem aérea, serviços bancários, carnes e leite longa vida, enquanto itens como seguro de veículo, pacote turístico e café moído contribuíram para conter o índice. A leitura qualitativa do resultado indica que a desaceleração do IPCA-15 está mais associada à normalização de componentes voláteis, especialmente transportes, enquanto a inflação de alimentos volta a ganhar tração, fator relevante para o consumo das famílias e para o agronegócio. No cenário prospectivo, a tendência de desinflação permanece, mas com riscos associados ao ambiente externo, especialmente no mercado de energia, o que pode pressionar combustíveis e, indiretamente, custos logísticos e preços de alimentos. Ainda assim, a trajetória do índice segue compatível com um ambiente de política monetária menos restritiva no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.