26/Mar/2026
Os Estados Unidos enviaram ao Irã uma proposta de acordo de 15 pontos com o objetivo de encerrar o conflito no Oriente Médio, utilizando o Paquistão como canal diplomático. O plano reflete a disposição de Washington em buscar uma solução negociada diante das consequências econômicas do conflito. Não há informações sobre a extensão da divulgação da proposta entre autoridades iranianas nem sobre a disposição do país em utilizá-la como base para negociações. Também não se sabe se Israel, que participa de operações militares conjuntas com os Estados Unidos, endossa a iniciativa. Autoridades israelenses indicam que a guerra deve continuar por várias semanas, sem perspectiva imediata de cessar-fogo. Os Estados Unidos estão articulando um cessar-fogo de um mês no Oriente Médio para viabilizar negociações com o Irã, seguindo modelo similar aplicado em Gaza e no Líbano.
O acordo discutido inclui restrições severas ao programa nuclear iraniano, desmantelamento das capacidades nucleares existentes, entrega de urânio enriquecido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e desativação das instalações de Natanz, Isfahan e Fordow. O Irã também seria condicionado a encerrar o financiamento e armamento de grupos aliados na região, incluindo Hamas e Hezbollah, além de abrir o Estreito de Ormuz. O programa de mísseis balísticos seria temporariamente mantido apenas para defesa, e todas as sanções contra o país seriam suspensas, com apoio ao desenvolvimento de programa nuclear civil em Busher. O acordo incluiria cláusula de cancelamento automático da ameaça de reimposição de sanções pelos Estados Unidos. Autoridades israelenses permanecem em alerta diante da possibilidade de um rascunho de acordo rápido e vago entre Estados Unidos e Irã, que poderia favorecer a posição iraniana.
A posição definitiva do Irã ainda não foi informada, e há incerteza quanto à aceitação das condições propostas. A divulgação da negociação provocou queda no preço do petróleo no pregão eletrônico e alta nos índices futuros das bolsas de Nova York. O tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya, das Forças Armadas do Irã, zombou nesta quarta-feira (25/03) das tentativas dos Estados Unidos de fechar um acordo pelo fim da guerra no Oriente Médio. "Seus conflitos internos chegaram ao ponto em que vocês estão negociando consigo mesmos?", disse Zolfaghari, em uma declaração em vídeo transmitida pela TV estatal. "Nossa primeira e última palavra tem sido a mesma desde o primeiro dia, e continuará assim. Alguém como nós nunca chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca."
"Até que seja nossa vontade, nada voltará a ser como era. Isso só acontecerá quando a própria ideia de agir contra a nação iraniana for completamente apagada de suas mentes corruptas", concluiu o tenente-coronel. Porém, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que há possibilidade de conversas entre Irã e os Estados Unidos acontecerem em breve no Paquistão. O analista de segurança nacional do Irã, Morteza Simiari, afirmou que as forças militares de Teerã estão prontas para agir, incluindo a tomada das costas do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos, caso os Estados Unidos "cometam qualquer erro" na região. Em uma entrevista à emissora estatal iraniana IRIB, Simiari alertou que o Irã já realizou exercícios militares para tais operações, o que proporcionaria uma "resposta que induz ao arrependimento" aos seus "inimigos". Segundo o analista, esse tipo de ação alteraria fundamentalmente o cenário geopolítico regional. "Entrar nas costas dos Emirados Árabes Unidos e do Bahrein está na agenda", enfatizou.
Nesta quarta-feira (25/03), a Press TV reforçou que o Irã rejeitou a proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra e afirmou que um cessar-fogo só ocorrerá nos termos e no momento definidos pelo governo do Irã. O Irã pode reativar o Estreito de Bab El-mandeb, caso seja o alvo de novos ataques pelos Estados Unidos e por Israel. "Se o inimigo quiser agir em terras iranianas ou em qualquer outro lugar em nossas terras, ou infligir custos ao Irã através de movimentos navais no Golfo Pérsico e no Mar de Omã, abriremos outras frentes como uma surpresa para ele, de modo que sua ação não só trará benefícios, mas também dobrará seus custos", afirmou uma fonte militar iraniana. Segundo ele, soluções "estúpidas" dos Estados Unidos para o Estreito de Ormuz podem colocar o outro estreito em dificuldades. "Estamos prontos para escalar a situação", acrescentou a fonte. O Estreito de Bab El-mandeb é uma faixa marítima vital entre o Iêmen e a Eritreia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.