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25/Mar/2026

Plano Safra 2026/27: guerra dificulta formulação

A elaboração do Plano Safra 2026/27 ocorre em ambiente mais desafiador, marcado por juros elevados, aumento do endividamento no campo e maior incerteza externa associada ao conflito no Oriente Médio. A expectativa é de manutenção do volume total de recursos próximo a R$ 600 bilhões, considerando linhas tradicionais e instrumentos privados, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs). No entanto, o cenário atual reduz a probabilidade de queda relevante nas taxas de juros ao produtor. A taxa básica de juros segue em patamar elevado, com recuo limitado até o momento, o que mantém alto o custo de captação e restringe a capacidade de redução das taxas finais do crédito rural. No ciclo atual, os juros variaram entre 2% e 14% ao ano, e a tendência é de manutenção em níveis semelhantes. O ambiente fiscal também impõe restrições à política de crédito.

Os recursos destinados à equalização de juros permanecem pressionados, com parcela significativa do orçamento comprometida com operações contratadas em safras anteriores, cujo custo aumentou com a elevação das taxas. Diante desse contexto, a política tende a priorizar o custeio da produção, especialmente em função da elevação dos custos operacionais no campo, impulsionados por insumos, energia e logística. A demanda por crédito segue em expansão. A necessidade de financiamento para custeio na safra 2026/27 é estimada próxima de R$ 865 bilhões, mais que o dobro do observado seis anos atrás. Desse total, cerca de 30% devem ser atendidos pelo Plano Safra, enquanto o restante depende de mercado e recursos próprios. Para investimentos, a demanda supera R$ 200 bilhões. O uso de instrumentos privados deve continuar em expansão, com destaque para as CPRs, em um cenário de menor espaço para ampliação de subsídios públicos.

Esse movimento reflete a busca por alternativas de financiamento diante das restrições fiscais. No crédito direcionado, a tendência é de manutenção das exigibilidades sobre recursos obrigatórios, poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), com eventuais ajustes pontuais. O ambiente também é influenciado pelo aumento da inadimplência no setor, o que eleva a cautela das instituições financeiras na concessão de crédito, com maior exigência de garantias e avaliação de risco. Entre as medidas em análise, está a ampliação de mecanismos de garantia para facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos produtores, além da continuidade de incentivos vinculados a práticas sustentáveis. A evolução da política ao longo do ciclo poderá depender do comportamento da taxa de juros e do cenário macroeconômico, com possibilidade de ajustes durante a execução do plano. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.